Moda, classe social, masculino e feminino

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“A história da moda ocidental coloca um sério desafio não só no que concerne à equação automática da representação espetacular da subjetividade feminina, mas também à suposição de que o exibicionismo implica sempre a submissão da mulher ao olhar controlador masculino. Como certo número de críticos de moda já observou, a vestimenta ornamentada era mais uma prerrogativa de classe do que de gênero durante os séculos XV, XVI e XVII , a qual era protegida pela lei [2]. Em outras palavras, uma elegância extravagante e a riqueza do traje masculino igualava, e muitas vezes ultrapassava, a da roupa feminina durante este período, de modo que até o ponto em que a indumentária era marcada pelo gênero, ela definia a capacidade de ser visto como sendo um atributo masculino e não tanto feminino.
Foi só no século XVIII que o sujeito masculino retirou-se do foco das atenções,  entregando seu manto ao sujeito feminino. Durante a segunda metade desse século, as volumosas vestimentas e as rebuscadas perucas dos nobres foram pouco a pouco se reduzindo, até o que eventualmente se tornou o terno respeitável e a “coiffure a la naturelle” dos cavalheiros, enquanto o vestido e os penteados femininos atingiam proporções épicas.
Quentin Bell atribui a nova modéstia na indumentária masculina ao surgimento da classe média e ao valor que ela dava à competência e ao trabalho. Ele argumenta que, enquanto nos séculos anteriores a riqueza estava associada ao lazer e à farta indumentária, no século XVIII ela passou a ser associada ao trabalho de direção e gerência e, consequentemente, à sobriedade do traje.”
Kaja Silverman. Fragmentos de um discurso de moda. Por dentro da moda. Arte Mídia/Rocco: Riode Janeiro, 2002. pg. 201, 202.
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