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Por D. Williamson*

Traduzido por Andrea Patrícia

 Three school children

Caros Amigos e Benfeitores,

Nos últimos anos a Fraternidade São Pio X abriu várias escolas aqui nos Estados Unidos, especialmente escolas primárias nos porões de suas capelas e igrejas. Essa reação à degeneração das escolas públicas e eclesiais ao nosso redor é normal da parte dos pais e sacerdotes católicos. Entretanto, começar escolas do zero ainda é uma brava aventura nas circunstâncias atuais, então a Madre Igreja tendo séculos de experiência em educação, deixa-nos recordar um pouco de sua sabedoria ancestral.

A bagunça na qual o mundo se colocou hoje flui da heresia; e quase todas as heresias modernas voltam-se, diz Donoso Cortes, para a negação tanto do sobrenatural quanto do pecado original. Agora com relação ao sobrenatural, os pais que não tem fé no sobrenatural dificilmente irão recorrer a escolas da Fraternidade, por causa do (abençoado) tempo dessas escolas oferecendo pouca ou nenhuma vantagem mundana às crianças, por exemplo acreditação. Mas sobre o pecado original, enquanto os pais católicos não dão importância ao dogma, este é na realidade tão suavizado pelo liberalismo que talvez poucos deles percebam totalmente como isso se explicita na prática, especialmente na educação. Então vamos começar a nossa ajuda às escolas com o lembrete sobre o pecado original.

Cada um de nós, nove meses antes de sair do útero de sua mãe, foi concebido por culpa de Adão em um estado de desordem e inimizade com Deus – “Nós éramos pela natureza objetos da ira (divina)” (Ef. II, 3). Agora alguém pode devido a falta de Fé Católica desacreditar de tal mistério do pecado não cometido por um homem pessoalmente, mas pertencendo a ele naturalmente, embora todos os séculos e todos os ambientes sejam repletos de evidências de uma falha profunda na natureza de todos os homens, destruindo largamente suas nobres aspirações. Em qualquer caso, o pecado original é um fato, e a negação dele constitui o erro essencial da educação liberal, a luta contra [tal pecado] é a pressuposição de toda educação católica.

Então o Joãozinho pode parecer tão quietinho, que seus pais pensam que ele é um anjinho, mas a Madre Igreja e boas Irmãs e bons sacerdotes sabem que por causa do pecado original, ele não é apenas um anjinho mas também um macaquinho, ao ponto que a Escritura – palavra de Deus – diz dele: (Provérbios XXIII,13,14): “Não poupe a correção a uma criança: se a castigares com a vara ela não morrerá. Castigai-a com a vara e livrai-a de perder sua alma no inferno”. De novo: (Provérbios XXII, 15): “O coração da criança é apegado à loucura, e a vara da correção irá afastá-la dela”. E pensar que os liberais tem orgulho de olhar para as punições físicas para crianças escolares como relíquias bárbaras que eles em sua sabedoria superior deixaram para trás! Cegos idiotas!

Caros pais, apoiem tais sacerdotes, freiras e professores que estão prontos para corrigir seus filhos. Não acreditem no Joãozinho quando com aqueles doces olhinhos azuis conta a vocês contos de como seus professores são cruéis e injustos. Deem-lhe um beijo, ponham-no para dormir, então liguem para o professor para ouvir sem dúvida uma história muito diferente! E então (contanto que não seja proibido por “lei”) dê umas palmadas no Joãozinho por contar mentirinhas quando ele acordar de manhã! Nos tempos antigos se Joãozinho dissesse em casa como a Irmã Machado de Batalha acertou-o com a palmatória na escola, longe de simpatizar com ele, ele apanhava de novo em casa! Ele logo aprendia a parar de reclamar de seus professores.

Assim a educação católica era então, como sempre deveria ser, uma conspiração entre sacerdotes, professores e pais na qual eles todos concordavam sobre o que era bom para a criança, e pais católicos costumavam ter o bom senso de confiar nos sacerdotes e professores. Essa confiança foi destruída pelo Vaticano II, mas deve ser reconstruída. A educação católica não pode funcionar se os pais ficam contra os professores. Lamentavelmente em muitas das escolas da Fraternidade a queixa ouvida é de que os filhos são educáveis, os pais é que não são! Claro que nem sempre, mas muito frequentemente eles não têm consciência de quanto os falsos ideais liberais que eles não dão importância paralisam o ensino dos verdadeiros ideais católicos aos seus filhos. Dado os esforços que tais pais tem frequentemente feito, essa auto-paralisia inconsciente é triste.

Um segundo maior erro do liberalismo na educação é a glorificação do indivíduo acima do bem comum. Como os que educam em casa sabem, os garotos especialmente sentem falta de serem ensinados num grupo de garotos. A pressão dos colegas faz um grande bem ou mal, porque o homem é um animal social, projetado por Deus para viver e aprender em sociedade. Consequentemente uma boa escola forma garotos – e garotas – em grupos, em classes, numa sociedade inteira. Consequentemente se uma maçã podre está estragando todo o barril, como frequentemente acontece enquanto uma escola está bem e funcionando, e até mesmo depois, então aquela maçã deve ir embora, para o bem comum de todas as outras crianças. É claro que se uma criança é desobediente, deve-se ser paciente por um tempo, especialmente se a desobediência vem da sua jovialidade em vez da malícia. Mas se uma maçã prova que está apodrecida, ela deve ser jogada fora sem misericórdia! Uma escola católica não é um reformatório para desajustados, NÃO é uma Creche Amorosa e Terna Para Delinquentes! Ela deve ensinar, não apenas cuidar de crianças, e indivíduos que não e ajustam num grupo e não se deixam ensinar por causa de sua má influência nisso não tem que desperdiçar o tempo daqueles que estão ajustados e dispostos a ser ensinados. Os delinquentes devem ir embora! O bem comum existe, especialmente numa escola, e é muito mais importante que qualquer outro indivíduo por si mesmo. Oh, como os liberais perdem todo o senso desse bem comum!

Um terceiro grave erro dos liberais é a sua negação de qualquer diferença entre garotos e garotas, erro sempre crucial, mas especialmente na educação de, digamos, crianças de 8 ou 9 anos para cima. É bem sabido que as garotas amadurecem biologicamente mais cedo do que os garotos, e imediatamente começam a distrair os garotos, que correm o risco de crescer ficando muito contentes em ser distraídos. Nem é a companhia mista a partir da puberdade um perigo apenas para castidade, embora esse perigo seja grave, a não ser que se negue o pecado original! A companhia mista é também um tremendo desperdício de tempo educacional, porque como qualquer professor que faça valer o seu salário dirá a você, mesmo num assunto, como literatura, apropriado para ser ensinado a ambos os sexos, se você ensina os garotos, as garotas se desligam, enquanto que se você ensina as garotas, os garotos saem de sintonia. Isso acontece porque Deus criou garotos e garotas para funções inteiramente diferentes (o quanto alguém precisa repetir isso?) na sociedade, então Ele deu a eles receptores bastante diferentes para captar as coisas bastante diferentes que eles precisam, tão diferentes que é impossível mesmo para um professor genial ensinar esses dois pontos em extremidades opostas ao mesmo tempo. Portanto numa classe mista de adolescentes, metade do tempo é constantemente desperdiçado. Mas você acha que os liberais acreditarão nisso? Idiotas surdos e estúpidos!

E então você acha que qualquer garoto que tenha respeito por si mesmo irá se deixar levar numa competição com garotas? Erro elementar colocá-los para competir! Separem seus testes! Deixem que as garotas sejam superiores naquilo em que elas devem ser superiores, seja para formá-las como boas esposas, mães ou freiras (uma mãe não tem que ser burra!), mas deixem os garotos serem superiores naquilo que os garotos devem ser superiores, e que nenhuma garota fique perto do processo sagrado de transformar garotos em homens. As garotas em volta dos garotos irão apenas bloquear a formação masculina que eles tanto precisam. Mas ensinem aos garotos a respeitar e proteger a diferença das garotas, para que as garotas não sintam mais a obrigação imposta sobre elas pela nossa sociedade doente de se transformarem em homens de segunda classe para terem algum respeito!

Mas acima de tudo, caros pais, vão bem em frente! Peque o touro pelos chifres (pegue a vaca pelos cílios!), e botem a escola para funcionar bem! São João Bosco disse que Deus tem graças especiais para adultos que cuidam de jovens abandonados. A juventude católica é universalmente abandonada pela sociedade anticristã e por uma igreja modernista. Vocês terão provações porque o demônio odeia verdadeiras escolas católicas, pois ele sabe o quão bem elas fazem para a salvação das almas. De fato os anos iniciais de qualquer de nossas escolinhas correm risco de ser mais ou menos uma montanha russa. Mas as recompensas são imensas, como diz o Evangelho, mesmo nesse mundo, quanto mais no próximo.

E caros párocos, se os senhores não contribuem como professores, então contribuam com sua escola paroquial com seus bolsos. Escolas são sempre custosas, especialmente hoje em dia quando há poucos professores que não recebem salário, monges ou freiras para ensinar. E aqueles que têm as crianças muitas vezes não têm os fundos. Deus irá certamente recompensar também aqueles que apoiam a juventude abandonada,

*Carta de outubro de 1995.

Traduzido de:

Bishop Richard Williamson. Letters from the Rector of Saint Thomas Aquinas Seminary,. True Restoration Press.

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