Discrição em palavras e ações

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Por Marian T. Horvat

Traduzido por Andrea Patrícia

 

Um tema muito importante é abordado no capítulo 11 do Small Manual of Civility [Pequeno Manual de Civilidade], a necessidade de discrição no dia-a-dia. É especialmente importante para nós hoje, porque se tornou um sinal do homem destemido, de sucesso, dizer o que pensa, ou descobrir e revelar os defeitos dos outros para ajudar alguém a chegar à frente. Este não é apenas o comportamento grosseiro, como também não é uma maneira Católica de agir.

Discrição são o tato e a polidez que se aprende em casa desde a mais tenra idade. Se uma criança ouve seus pais constantemente difamando e encontrando defeitos nos outros – mesmo bons amigos e parentes próximos, ela vai aprender a fazer o mesmo. Se ele ouve sua mãe ou seu pai discutindo suas insuficiências ou falhas com os outros, ele não vê motivo para ser discreto sobre seus defeitos ou sobre assuntos particulares da família. Indiscrição é uma espécie de círculo vicioso – um ato indiscreto provoca e leva a outro. Logo, a harmonia e a gentileza da vida – dentro da família, da comunidade e da sociedade em geral – é quebrada e destruída.

O homem discreto é senhor de si mesmo, e admirado por todos. O homem indiscreto segue seus instintos mais baixos, e é desprezado por todos.

Vejamos como ser discreto em nossa conversa, seguindo o nosso Manual de Civilidade.

***

A discrição, filha da humildade e da prudência, é um dos adornos mais belos da virtude da caridade.

Consiste basicamente na honestidade elementar e indispensável que move o homem a guardar sua língua com respeito à vida do próximo. O homem discreto irá cobrir um defeito ou falha de outro. Ele vai lançar uma sombra protetora sobre os erros dos outros.

A discrição sabe como manter um segredo, ocultar um assunto confidencial em um silêncio prudente; fechar os ouvidos para conversas insidiosas geradas por inimizades pessoais. Em suma, um homem deve exercer a discrição em todas as circunstâncias da vida diária.

Quando a reserva é necessária

Imperador Carlos I da Áustria-Hungria, um modelo de discrição

Em um almoço privado que teve lugar há algum tempo em São Paulo, cinco burocratas e um General estavam presentes. Vários anos antes, o último foi o líder de um partido político que perdeu as eleições mais importantes da cidade. Os burocratas, inteligentes, curiosos e dados a intrigas, tentaram fazer com que o General dissesse suas opiniões pessoais sobre os seus colegas na eleição. O General percebeu rapidamente jogo deles. Ele prestou sincera homenagem, várias vezes, ao talento, abnegação e mérito dos outros líderes. Ele deixou toda a responsabilidade pela derrota cair sobre si mesmo. Ele não disse nada, indicou nada que pudesse manchar um pouquinho que fosse os nomes dos outros políticos.

Aqui está um magnífico exemplo de discrição. Certamente, o General poderia ter sido tentado a distribuir a culpa pelo fracasso para ganhar a eleição entre os líderes de diversos partidos. Mas ele não o fez.

Agora, alguns exemplos de pessoas que indiscretas:

  • Durante uma visita, ele divulga fatos dolorosos ou constrangedores sobre os outros que ainda estão vivos ou cuja memória continua presente entre as pessoas da reunião;
  • Ele revela um acontecimento que a família ou indivíduo gostaria de cobrir ou não está ainda pronta para tornar públicos;
  • Ele insiste em ser introduzido, mesmo quando é dito que o dono da casa está ocupado ou não está;
  • Ele faz um telefonema ou visita durante as horas que são inoportunas;
  • Ele se esgueira com olhares imprudentes para as cartas, as embalagens ou objetos particulares de outras pessoas em sua presença ou ausência.


Mais exemplos de indiscrição

Se você está falando com uma pessoa e outra pessoa chega, que também gostaria de falar com ela, seria indiscreto não cortar sua breve conversa para que ela possa assistir à segunda pessoa.

Discrição consiste em respeitar o tempo e a liberdade de ação de seu próximo. É indiscreto ocupar o tempo dos outros com conversa fiada, perturbando o seu trabalho e ocupações cotidianas e atividades.

Seria indiscreto e até mesmo impertinente alguém visitar a casa do outro e dispor livremente – seja convidado ou não – dos livros, objetos e móveis, removendo-os do seu lugar, dar ordens aos empregados, mudar o cronograma da família para acompanhar a sua conveniência, em suma, arrogar para si o título de lorde independente.

Assuntos familiares íntimos são sagrados

Não se intrometa na vida privada de seu próximo

Se a hospitalidade é sagrada, assim também é que o cliente viu, observou, notou, forma inesperada no que diz respeito às pessoas e coisas, durante sua visita a uma casa de família. Não há quase nada tão odioso quanto um homem violar os segredos de uma família em cuja casa ele foi bem recebido e recebeu um bom tratamento. O que pode ser mais desprezível do que uma pessoa que, depois de desfrutar da hospitalidade e exibindo amizade mútua e boa-fé, espalha aos quatro ventos as coisas menos edificantes que ele viu na casa?

A pessoa que, consciente ou inconscientemente proclama assuntos particulares dos outros é odioso a Deus, assim como aos homens. Quem encontra um objeto de valor, um documento ou uma carta em um lugar público é obrigado a devolvê-lo ao seu dono, porque o fato de encontrá-lo não confere o direito de propriedade. Assim também, quem por acaso ou artifício, se depara com alguma questão particular do próximo, não tem o direito de divulgá-la. Revelar tais defeitos ou falhas seria uma falta mais grave caso venha a resultar em danos a autoridade da pessoa, ou a desonra de seu bom nome.

Nosso próximo tem direito ao seu bom nome, sua reputação. Detrair é cometer um ato de difamação, que etimologicamente significa atentar contra a fama de alguém. É má ação diante de Deus e dos homens.

O mal causado por palavras indiscretas

Uma palavra de Eva em resposta à serpente – quando ela não deveria ter respondido a ela – foi a causa da ruína da humanidade inteira.

Uma palavra que as filhas de Israel, disseram em louvor de Davi, preferindo-o Saul, foi a causa de uma grande revolução naquela monarquia, obrigando Davi a se tornar um fugitivo e ser perseguido por muitos anos.

Uma palavra que escapou de Henrique II, Rei da Inglaterra, fez com que quatro de seus vassalos sacrilegamente assassinassem o arcebispo da Cantuária, São Tomás Becket, dentro de sua própria igreja.

Com uma palavra impensada, um segredo é divulgado, ao pôr a descoberto um segredo, um reino pode ser perdido.

Quantas famílias inteiras nunca poderiam apagar uma mancha na sociedade causada por essas simples palavras – “Você ouviu essa?”

 

Original aqui.

A Voz Falando e Conversando

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Por Marian T. Horvat
Traduzido e adaptado por Andrea Patrícia

vida

Um dos grandes mitos modernos sobre conversação é que temos o direito de falar “o que se passa pela nossa cabeça”, ou seja, manifestar os nossos pensamentos ocultos ou simplesmente dizer o que vier à mente em qualquer momento. Isso é simplesmente errado. Ambas as ações espontânea sempre foram condenadas como inadequadas em países sob a boa influência da Civilização Católica. Você vai ver um exemplo disso nas instruções cuidadosas aos jovens homens católicos dada no capítulo 10 do Small Manual of Civility [Pequeno Manual de Civilidade] sobre a arte da conversa.

Não apenas fale, mas pense antes de se falar: essa é a primeira regra geral. Um cavalheiro ou uma dama nunca utiliza palavras para prejudicar ou rebaixar outra pessoa. Ser delicado e cortês é mais importante do que ser considerado rápido e inteligente.

Segundo, devemos estar cientes de que falamos: o tom de voz e atitude que projeta, dicção e gramática correta, e assim por diante. Os pais e educadores devem corrigir um jovem homem com uma voz choramingas ou com um suave tônus feminino. Deixe que a voz, como a postura e as ações de um homem, reflitam uma forte e firme natureza masculina.

Muitas vezes, ter fortes convicções dá a noção de que se tem o direito e a responsabilidade de infligir seu pensamento sobre todos com quem fala. Ele deixa de participar da conversa; ele dá lições. Em vez de convidar seu próximo a boas disposições, ele acaba por afastá-lo do processo. Uma pessoa que sabe como se expressar bem, utiliza o tom correto e escolhe cuidadosamente suas palavras, irá exercer uma influência natural sobre os outros, influência que pode ser utilizada para o bem. Sua família e amigos buscam conhecer a seus pareceres e receber aconselhamento, em vez de evitá-lo por receio de uma nova arenga.

No final deste capítulo há uma lista de regras de conversação. Sugiro que leia atentamente cada uma e tente aplicá-las. Penso que haverá muito poucos que não encontrarão vários pontos para checar que poderiam ser mais bem tratados e polidos.

Aqui está a minha tradução editada do Capítulo 10.

A conversa por Rembrandt

 

Não há nada mais belo do que a voz humana. A palavra é o principal meio que nós possuirmos para manifestar o nosso pensamento e comunicar com o nosso próximo, é investida com as qualidades mais úteis para saber.

A voz cumpre um papel muito difícil e ao mesmo tempo extraordinário nas nossas relações com os outros: ela transmite o nosso pensamento e manifesta o funcionamento da nossa consciência privada, no grau que desejamos.

Com efeito, não há nada a esconder, impenetrável e inviolável como o pensamento de um ser humano. Mesmo se o cérebro de um grande pensador pudesse ser aberto, ou o seu crânio se tornasse transparentes como o mais puro cristal, não poderíamos descobrir um único pensamento nele. Com todos os modernos meios de comunicação de hoje, podemos saber o que acontece em todos os cantos do mundo; mas não sabemos o que o homem está sentado ao nosso lado está pensando a não ser que ele queira contar. O mesmo se aplica à consciência – um inviolável local privado cuja chave para conhecer está nas mãos de cada homem somente. Esta chave é a palavra.

A Palavra é Prata e o Silêncio é Ouro

A palavra é a expressão sensível do pensamento invisível. Ela não conhece o obstáculo das fronteiras e limites territoriais. Os trabalhadores da alfândega podem impedir a entrada de drogas e armas; mas quem pode deter a passagem da palavra? A palavra falada pelo apóstolo de Deus ou pelo anarquista tem o poder de estender a semente do bem ou do mal por regiões inteiras. Uma vez que a palavra é uma das coisas mais temidas neste mundo, seu uso deve ser regulado por leis muito severas.

O Livro da Sabedoria diz que quem não peca pela língua é um homem perfeito. Algumas vezes ouvimos pessoas que falaram apressadamente ou incorretamente tentando desculpar a si mesmas: Não foi nada – apenas uma palavra solta no ar, dita sem pensar. Isso não é verdade. Palavras são como dinheiro; e todos sabem que ninguém atira dinheiro no ar, ou pela janela.

O Tom de Voz

Pelo seu esforço Demóstenes corrigia seus defeitos

 

Em todo o gênero humano, não há duas vozes com o mesmo exato timbre e ressonância. Um homem, por exemplo, pode ter um tom delicado de voz, suave com um tom elegante; ele recebeu da natureza um dom inestimável, porque a palavra de consolo oferecida por uma voz harmoniosa, flexível pode comover e conquistar uma alma angustiada. Ela traz um raio de luz, e a esperança penetra no coração trespassado pelas tragédias da existência humana. Deve-se conservar com entusiasmo o tesouro de tal voz.

Mas se um rapaz tem uma voz que é demasiado branda, ele deveria praticar exercícios para torná-la mais forte. Lembre-se do grande orador grego Demóstenes que corrigiu tom seu frágil, fortalecendo a sua voz ao falar sobre o litoral durante o rugido das ondas.

Se a voz tem um tom duro, agudo, deve-se tentar desenvolver um tom mais cordial através da prática ou de lições de voz.

É necessário disciplinar a voz, corrigir maus hábitos de pronúncia com o mesmo rigor que se corrige ações perversas do corpo. No ensino fundamental das escolas, os professores deveriam instruir as crianças a pronunciar as palavras claramente e falar com compostura, destruindo mais cedo os defeitos e maus hábitos que poderiam mais tarde se tornar desagradáveis na conversa ou no discurso em público. É preciso tentar corrigir os defeitos do sotaque regional, principalmente se for rústico ou pouco claro, e tentar adquirir no discurso a mesma disciplina exigida caminhar e agir: ou seja, devemos ter um modo de falar claro, não afetado e firme.

Devemos tentar erradicar das nossas vozes o que pode fazer com que o nosso próximo tenha um juízo inferior sobre nós: o tom seco ou ácido, as inflexões impertinentes, o tenor arrogante, o irritante tom choramingas.

Tons a ser corrigidos

O tom de voz estridente ou impertinente golpeia os ouvintes, ofende seu senso de dignidade e valor. Ela provoca ferimentos em nossas relações com outros, predispõe à discussão e à discórdia. É preciso combater este ardor tentando desenvolver um tom mais suave, mais polido, respeitador e amável.

Estes tons também devem ser evitados:
• O tom mordaz que deixa para trás sentimentos feridos;
• O tom azedo que parece querer brigar;
• O tom irônico que destrói a paz e harmonia porque humilha nosso próximo
• O tom crítico que tem o objetivo de mostrar rara inteligência, mas serve para aumentar a antipatia e o desprezo do outro;
• O tom afetado, excessivamente refinado, uma expressão de vaidade;
• O tom frágil e lânguido do homem preguiçoso [malandro], indicando uma alma sem energia ou uma pessoa sem caráter, carente de bons princípios.

Conversa

Uma das mais agradáveis formas de utilização de palavras é a boa e simples conversa.

Conversar é trocar idéias, sentimentos e impressões entre duas ou mais pessoas. Para o homem, a conversar é uma necessidade – maior ou menor necessidade em função do seu grau de cultura e civilidade – porque ela estabelece entre as mentes uma relação elevada que permite um intercâmbio de idéias, de ensinamentos, convicções e opiniões sobre a verdade, a sociedade e questões práticas.

Mas na conversa, bem como nos negócios, existem ladrões; estes ladrões são aqueles que roubam a conversa de bons frutos utilizando uma linguagem má. Não devemos dar ouvidos a eles, e não devemos permitir que os nossos nomes entrem nesta lista infame de pessoas com linguagem obscena. Se todos os homens se afastassem destas pessoas indecentes, haveria muito menos calúnia, difamação e fofoca viciosa sobre a terra.

Uma conversa boa, cordial frequentemente figura entre os momentos mais agradáveis e preciosos da vida de um homem. Quando mentes partilham a mesma vontade de bem comum, conversar é a confraternizar, é aliviar um ao outro da pesada carga da vida, é instruir um ao outro pela partilha da catedral de conhecimentos e experiências tão valiosas que outro homem pode possuir. Ela pode ser verdadeiramente um banquete de mentes.

Uma boa conversa no seio da família é um sinal seguro da felicidade doméstica. Pelo contrário, se não existir, podemos dizer que o costume entrou em decadência e a família aponta para a ruína. Na casa de pessoas bem-educadas uma boa conversa deve girar em torno de temas elevados como religião, arte, cultura, e política geral. Críticas pessoais devem ser evitadas a todo custo, bem como questões empresariais e preocupações prosaicas sobre a saúde de alguém. Numa conversa generalizada, todos os membros devem fazer um esforço para lidar com temas elevados. Fazendo isso cada um deve tentar a melhor maneira de falar no momento certo, observando as regras essenciais da caridade e benevolência. Desta forma iremos oferecer aos nossos próximos alguns dos um pouco do nosso espírito de fraternidade.

Regras de conversa

As regras de boa conversa são muitas:
1. Não devemos dizer coisas más sobre aqueles que estão presentes ou mesmo aqueles que estão ausentes. Se alguém ridiculariza outra pessoa, devemos tomar a sua defesa com calma e moderação, ou manter um profundo silêncio que mostre a nossa desaprovação.

2. Não se deve evidentemente enaltecer as qualidades físicas, intelectuais ou morais das pessoas presentes. Nesses elogios falta delicadeza, podem embaraçar a modéstia da pessoa cujos louvores estão sendo cantados, e pode plantar uma semente de antipatia e desprezo dos ouvintes pelo admirador.

3. Não se deve fazer uma crítica de um defeito antes de saber se não há ninguém próximo que sofra do mesmo defeito.

Uma firme, mas não dominante maneira

 

4. É de mau gosto falar de suas próprias imperfeições, pois geralmente as mesmas aparecem sem a necessidade de ser apontadas. Contar histórias onde o “Eu” está diretamente n o centro do episódio não é recomendado entre pessoas educadas.

5. Se um dos presentes comete um erro científico, histórico, religioso ou social, os ouvintes devem manter um ar impassível, deixando que ele termine sua exposição. Mas depois que o orador tenha apresentado o fato errôneo, se pode falar e expressar o seu próprio parecer, entrando na questão com a delicadeza de termos que não fale de amor-próprio ou de ferir o sentimento dos outros. O orador que cometeu o erro, alertado por essas palavras condescendentes, normalmente não se torna irritado pela correção ou irritado com quem o corrigiu.

6. Não interrompa quem está falando, nem monopolize a conversa, discorrendo sobre si mesmo, sobre sua família, ou sobre questões pessoais que não apresentam interesse ou talvez sejam mesmo desagradáveis para os outros. Convém lembrar-se do bom conselho do Lord Chesterfield: “Quando estiver conversando, nunca tome posse do braço ou da mão, ou camisa de um homem, como forma de obrigá-lo a ouvir você. É melhor segurar alguém com a sua língua do que com a pessoa dele”.

7. Quem ouve atentamente estimula o orador. Se a conversa parece chata ou prolixa, não se deve manifestar a sua falta de interesse ou preocupação.

8. Se você está narrando um episódio, evite pormenores repetitivos ou inúteis. Também evite o uso constante de certas palavras cuja repetição faz com que a conversa fique enfadonha ou pesada para os ouvintes.

9. Não entre em assuntos privados da família, nem fale da sua capacidade profissional ou dos títulos que ganhou. Espere até que alguém manifeste o desejo de conhecê-los. Então, responda com modéstia e brevidade.

Não conte segredos ao lado de outro…

10. Não deixe que a conversa caia em temas que os seus convidados não compreendem ou acompanham. Uma falta grave seria segredar ou falar em voz baixa a alguém perto para que os outros não consigam ouvir o que disse.

11. Evitar salpicar a conversa com demasiados adjetivos, advérbios reverberantes, ou frases banais, tais como, “era um dia muito, muito agradável”, “perfeitamente maravilhoso!”, “era tão obviamente claro!”.

12. Evite terminar suas declarações com a expressão sem tato: “entendeu?”. Se você realmente tem uma pergunta sobre a qual precisa saber se foi bem compreendida, deve perguntar “fui clara?”. Isto evita a insinuação de que seu amigo não seja inteligente. É uma abordagem mais modesta que torna a culpa de uma possível falta de compreensão recair sobre você. Também evite terminar ou intercalar declarações com frases insignificantes como “certo?” “Sabe?” “percebe isso?

13. Não se deve modificar seu semblante ou fazer exibições teatrais quando comunicar episódios que possam estimular extrema admiração, tristeza ou satisfação. O homem que domina o temperamento dele não exagera suas manifestações de alegria ou tristeza.

14. Saiba como conduzir a si mesmo se outros expressarem opiniões diferentes da sua. Para acabar com a troca de idéias onde nem se é um vencedor nem um vencido, é necessário para fechar o debate amigavelmente, dizendo algo agradável como: “Nós podemos discordar sobre este tema, mas que isso não vai nos impedir de desfrutar a nossa viagem de pesca amanhã”.

15. Cada falta contra a gramática é também uma falta contra o bom gosto e a boa educação. Por isso, faça um uso adequado dos nomes e pronomes, evite gírias e erros crassos de sintaxe, bem como linguagem grosseira ou vulgar.

Original aqui.

O Sorriso – O Riso – A Careta

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Por Marian Horvat T.

Traduzido por Andrea Patrícia

vida

Num dia desses, eu tive um não tão agradável almoço com vários amigos. O ambiente era agradável, boa comida, a companhia excelente. O que estava errado? Na mesa ao lado estava um homem de negócios entretendo vários clientes, ou talvez outros trabalhadores de escritório. Com intervalos de poucos minutos, ele irrompia uma estridente gargalhada que ecoava pela sala. Como ele estava apenas a uma mesa de distância, era quase impossível para nós ter uma conversa normal. “What could he possibly be laughing at?” I couldn’t help but wonder. “Do que ele poderia estar rindo?” Eu não podia deixar de pensar. Nada poderia ser tão continuamente e estrondosamente engraçado.

O irritante hábito de rir sem razão, como aponta o capítulo VIII do Small Manual of Civility [Pequeno Manual de Civilidade], pertence ao tolo, e não ao homem civilizado. Infelizmente, uma certa escola de comportamento que floresceu nos primórdios de Hollywood considera oportuno rir de tudo. É a mesma escola otimista que ensina que piadas constantes e a artificial boca cheia de dentes em grandes sorrisos sempre são adequadas. Tudo é alegre e engraçado, uma atitude que não se encaixa na realidade e está em contradição com a vida e o pensamento de um jovem Católico sério.

O homem das épocas passadas tinha o cuidado de se compor, quer em privado, porque ele estava diante de Deus e Seus Anjos, ou em público, onde ele dava exemplo na sociedade de como um católico deve se comportar. Por estas razões, sua risada era composta, seu sorriso sincero e amável, seu comportamento sério, mas não severo. O culto americano à espontaneidade e ao otimismo causou muito dano a este compostura. O capítulo que eu traduzi abaixo nos convida a pensar seriamente em tomar a atitude correta.

O animal não ri, nem sabe por que tem prazer ou por que sofre. O riso e o sorriso são especiais ao homem. Nenhum animal é dotado com esta faculdade de expressar sua satisfação ou tristeza por meio da alteração das linhas da fisionomia, pois nenhum animal tem uma fisionomia e nenhum animal é capaz de pensar. O riso e o sorriso são as manifestações externas de um processo mental do homem, o que provoca em nós um sentimento de surpresa admiração ou simpatia.

O sorriso

Sorrisos amáveis e sinceros sem perda de compostura - O Príncipe e a Princesa da Grécia

O sorriso é o complemento e o perfume das nossas relações; desperta simpatia, completa um gesto, envolve os recursos em cativar a graça, é um reflexo da paz interna de um homem. O sorriso suaviza uma recusa, atenua a aspereza de uma observação, facilita a severidade de uma contradição. Sorrir não é apenas a ação física de um movimento ascendente da boca. Sorrir é propagar na fisionomia com uma felicidade afável e temperada que ilumina e transfigura, dando ao olhar um certo brilho composto de bondade e boa vontade.

O sorriso, o espelho do nosso estado interior, é tão variado quanto os sentimentos que nos animam. É pretensioso quando expressa um sentimento de orgulho. É irônico nos espíritos combativos e audaciosos. É admirável naquele que se encontra na presença da beleza, do bem e da verdade. É confuso e perplexo na alma confusa. É amoroso e terno nas almas compassivas.

O sorriso é a flor de afabilidade que tem um efeito sobre todas as nossas ações com relação ao nosso próximo: a saudação e a despedida, a reprovação e aprovação, e assim por diante. Se a caridade é uma rosa, o sorriso é o seu perfume.

O sorriso é a arma que ganha a amizade do nosso próximo.

Riso

O riso é a súbita expressão alegre de surpresa causada por um fato externo. Dentro dos limites da conveniência e da moderação, o riso é permitido na sociedade. É comunicativo, como a tristeza e as lágrimas.

Quando é uma manifestação natural de sentimentos de alegria, o riso deve obedecer a certos pontos:

• Não deve irromper ruidosamente ou imensamente;
• Não deve fazer a voz quebrar ou ecoar com sonoridade barulhenta, como gargalhadas ou risadas histéricas;
• O corpo não deve contorcer e tremer, como se atacado por fortes dores estomacais.

Só um tolo ri sem motivo

O riso imoderado ou constante revela uma pessoa que é irrefletida e superficial no conhecimento das pessoas e coisas. Com efeito, o riso é uma reação equilibrada a um contraste aparecendo de repente entre dois objetos, uma desarmonia, uma desproporção entre a causa e o efeito, o meio e o fim, o esforço e resultado, etc. O riso é, portanto, uma resposta verdadeira e sincera a um contraste inesperado ou imprevisível.

Nem todo mundo sabe rir. Pessoas cultas sabem rir com calma, os tolos riem ruidosamente. Encontramos no Livro da Sabedoria, a seguinte frase: O tolo levanta sua voz quando ri.

O riso é inconveniente quando se manifesta na presença de atos desonestos ou fraudulentos, de uma palavra licenciosa, um trocadilho ou expressão duvidosa, ou um gesto censurável. Uma pessoa de boa educação não dá a sua aprovação pelo riso ou um sorriso para o que for contrário aos bons costumes. Pelo contrário, ele fecha o seu rosto com um olhar de reprovação ou de repulsa, e se retira da companhia.

Ninguém deve rir dos defeitos dos outros, sejam eles físicos ou morais, nem deve inventar armadilhas para fazer com que os ingênuos e simples sejam objeto de riso. Seria muito censurável para uma criança zombar das deformidades de uma pessoa, ridicularizar uma pessoa retardada ou um homem com deficiência.

Riso forçado, ou seja, rir sem motivo suficiente é próprio dos bobos e bufões. Há também o riso amarelo, feito relutantemente, fingindo prazer quando se está realmente descontente. Essa risada é insincera e também devem ser evitada.

A careta

Trejeitos indecentes e comportamento desenfreado comuns em jogos de futebol

A careta é uma deformação exterior e do movimento das feições do rosto. Quando algumas pessoas cantam ou discutem com veemência, fazem caretas inconscientes, franzindo a testa, com olhos esbugalhados, contorcendo o nariz, a boca e os músculos do rosto, como se sentissem uma dor violenta. Alguns estudiosos quando escrevem colocam a ponta da língua para fora da boca e ficam com um olho vesgo. Certas caretas expressam escárnio, outras significam desprezo, outras ainda, estupefação. Algumas pessoas estão acostumadas a acompanhar tudo o que dizem ou fazem com caretas ou expressões variadas das feições. Ainda mais, imitam e ridicularizam outras pessoas, exagerando suas características.

Tudo isso deve ser rigorosamente evitado.

A caricatura é uma careta traçada. É constituída por representar em um desenho os defeitos salientes ou anomalias das feições de uma pessoa, conservando características fundamentais para que o desenho seja reconhecível.

Ao se referir a personagens imaginários, a caricatura é uma arte em quadrinhos que ridiculariza os defeitos e vícios. No entanto, quando se reproduz as feições essenciais e deformadas de uma pessoa conhecida, constitui uma falta grave contra a caridade, porque convida a zombaria e ridicularização do próximo, e lhe rouba o bom-nome a que cada homem tem o direito.

Não é apropriado ou cômico esboçar caricaturas de professores ou colegas, a fim de divertir amigos.

O sorriso de São João Bosco atraiu jovens e idosos

Um rosto sereno representa uma alma nobre

Aquele que tem um sorriso natural, refinado, tem à sua disposição uma arma poderosa para o bem. O sorriso do homem virtuoso conquista-nos para o bem, assim como o sorriso sarcástico do homem ímpio pode prejudicar os outros.

São João Bosco se apresenta como o mais amável dos homens, seu sorriso e olhar aberto, capaz de atrair e influenciar os jovens e velhos. Mas não há qualquer vestígio de intemperança naquele sorriso. É impossível imaginar que este homem, cuja ação foi toda voltada para mover o seu próximo ao amor de Deus, irrompendo num riso estridente, áspero.

Santa Teresa de Lisieux passou por este exílio espalhando seu doce sorriso em todos os lugares. Ela sorriu para aqueles que desejavam o bem para ela e para os indiferentes. Ela sorriu, porque em todas as pessoas ela viu Jesus, para quem ela sorriu continuamente.

 

Original aqui.

Seja corajoso em sua cortesia

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Por Elena Maria Vidal
Traduzido por Andrea Patrícia

Por favor, ofereça seu assento. Nunca esquecerei como no início dos anos 90 eu estava em um trem lotado indo para Washington, DC., vindo de Princeton, Nova Jérsei. Havia uma jovem senhora que esperava um bebê em pé no corredor com sua bolsa na mão. Todos os lugares estavam ocupados e nenhum dos muitos homens em torno dela ofereceria seu assento. Eu estava chocada e irritada e desejava renunciar ao meu lugar para ela. Eu estava, no entanto, preza no meio de uma multidão de mulheres falando em rapidamente em castelhano e não conseguia avançar. Não havia como a pobre grávida escalar por todas aquelas pessoas para chegar onde eu estava.

Fiquei aliviada quando o condutor entrou. Ele era negro e um príncipe de um homem que inspecionou a situação com desagrado. Então ele anunciou: “Esta senhora está grávida. Algum dos senhores cavalheiros poderia, por favor, ceder o seu assento?” O homem mais próximo da mulher cedeu seu lugar para ela; que terrível que ele tenha que ter sido convidado a fazer isso. Quando o trem chegou a Washington, vi a jovem mãe saudada por um jovem com um garotinho; o garotinho saltava no ar à vista dos seus e correu por toda a plataforma para encontrar com ela. Como esquecemos que estranhos com quem nos encontramos são muitas vezes os membros de uma família que os amam.

Eu me dei conta de que quando somos rudes com alguém que estamos desumanizando-os, e tirando deles o amor e respeito que merecem como filhos de Deus. Mas quando somos educados, então estamos tratando-os segundo a dignidade dada por Deus. Oferecer um lugar para outro é um pequeno gesto que expressa muito sobre nosso ponto de vista do cosmos, nosso lugar, e o lugar do outro. Sentir-se o centro do universo não é uma característica a ser admirada, nem é um sinal de saúde psicológica ou espiritual.

Original aqui

Não esqueça de dizer “obrigada!”

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Por Lizzie

Traduzido por Andrea Patrícia

Eu adoro que abram a porta para mim.

Sempre que um homem abre uma porta para mim, ou até mesmo espera dois segundos a mais segurando a porta de forma que eu possa entrar, me faz sentir especial. Não importa se o sujeito é um amigo ou um estranho, um cavalheiro óbvio ou… menos assim, mas a mensagem comunicada a mim está clara: “Você é uma senhora e eu sou um rapaz. Isso é uma porta, então eu deveria abrir isto para você.”

O que leva ao meu ponto. Quando um homem abre uma porta para você, nunca se esqueça de dizer um amigável “obrigada!” É certamente um movimento estranho de mulheres que decidiram que deveriam rosnar e arrebatar as maçanetas das mãos dos homens antes que eles tivessem a chance para executar o seu dever honrado de abrir a porta. Como resultado, muitos sujeitos hoje estão sob a falsa impressão de que todas as mulheres estão assim.

Como senhoras, nós temos a responsabilidade de encorajar que os homens consigam de volta seus papéis de cavaleiros e cavalheiros. Nós não vamos bater nas cabeças deles com nossa declaração de missão. Mas nós vamos sorrir e nos comportar cortesmente sempre que algum sujeito que pode acreditar que está arriscando vida e membro por esta ação, faz um ato incomum de cavalheirismo por nós.

Dois comentários de leitoras sobre este texto:

É engraçado como algumas mulheres interpretam este gesto automaticamente como opressivo, como se os homens fizessem isto porque eles pensam que nós somos muito delicadas para fazer isto nós mesmas. Eu penso que é um sinal de respeito e honra. Da mesma maneira que nós ficamos de pé quando um juiz entra em uma sala de tribunal ou quando um militar saúda um superior, abrir a porta para uma mulher é um modo de reconhecer o valor dela e mostrar aquele reconhecimento de uma forma simples e prática. Eu aprecio toda vez que meu marido ou qualquer homem abre a porta para mim e digo “obrigada” com um sorriso.

Por Gretchen Fagan

*

Eu acho isto incrível como as mesmas mulheres que se opõem a que um homem abra a porta para elas agradeceriam a uma mulher que fizesse a mesma coisa. Eu concordo com o comentário anterior que define a cortesia comum assim como uma “coisa humana”

Dito isso, eu também aprecio o cavalheirismo que existe em um homem abrindo uma porta para uma mulher. Eu perguntei a um amigo uma vez por que ele faz questão de fazer isto, e a resposta dele foi, “Você tem que dar à luz; o mínimo que eu posso fazer está abrir uma porta.” Quando você vê dessa maneira…SIM!

Por Carol Lombardo

Original em: Modestly Yours

Etiqueta no almoço de trabalho

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Por Carmen Elena de Velado

long-lunch

É comum hoje em dia a proliferação de almoços com motivos trabalhistas. Fomentam as relações interpessoais entre os empregados de uma mesma empresa já que se tem tempo para comentar aspectos que não se revistam tocar durante a jornada de trabalho.

Ajudam a estreitar relações entre colegas de outras companhias para intercambiar experiências e informação de interesse. Inclusive se podem fechar negociações com um cliente importante que necessitam uma atmosfera mais relaxada e prazenteira e uma oportunidade de que um grupo de trabalho e seu superior hierárquico se consolidem como equipe.

Os almoços de trabalho são aproveitados ao máximo quando se cuida da etiqueta na mesa, já que permite enfocar-se no tema da reunião. Alguns aspectos que há que se recordar:

Os talheres aos lados do prato se utilizam na ordem de fora para dentro.

Não comece a comer até que seu anfitrião o faça ou lhe indique que o faça.

Não fale com a boca cheia nem mastigue com a boca aberta.

Se algo lhe incomodar ao mastigar, como sementes, ossos de frango, etc. pode tirá-lo da mesma forma que entrou.

Parta o pão com a mão, pedacinho a pedacinho. Nunca use a faca. Passe manteiga em cada pedacinho partido e nunca em toda a fatia de uma vez. Pode-se cravar um pedaço de pão com o garfo para recolher molho do prato.

Se quiser compartilhar algo de seu prato com outro, coloque-o em seu prato do pão.

Não se sopra a sopa ou a comida quente.

Original em Sheila Morataya

Amabilidade no elevador

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Por Carmen Elena de Velado

Traduzido e adaptado por Andrea Patrícia

vida

Subir e descer em um elevador é algo muito comum em nossos dias. Mas não é assim com o uso das boas maneiras. Junto à tecnologia é importante não se esquecer dos bons modos.

Se o edifício em que se trabalha tem um ascensorista, é agradável pedir-lhe por favor que lhe leve a um andar e agradecer ao sair.

Embora já não se siga a regra que diz que as mulheres saem ou entram primeiro, não será mal visto quem assim o fizer. A regra que sempre se aplica é a de dar prioridade às pessoas mais velhas e aos incapacitados.

Se você não pode alcançar os botões que indicam os andares, pode perfeitamente pedir o favor a quem está perto para que o faça por você.

Se o elevador já está muito cheio e você tem medo de perdê-lo, evite entrar e empurrar as pessoas. Dará uma melhor impressão se espera o seguinte e não irritará os que já vão apertados.

É boa etiqueta de negócios, mas, sobretudo, de boas relações humanas, o cumprimentar ao entrar no elevador. Um “bom dia” ou “como vai?” fazem muito por melhorar a qualidade do ambiente trabalhista. O que se há que evitar é ter uma conversação confidencial ou dar risadas escandalosas na presença de outras pessoas no mesmo elevador.

Ao sair do elevador segue-se o que o sentido comum aconselha: saem os que estejam mais perto, a menos que a máxima autoridade da empresa esteja presente ou a uma pessoa mais velha que tenha que ser auxiliada para sair.

Os que esperam tomar o elevador devem esperar que todos saiam para tentar entrar. É mais eficiente, perde-se menos tempo, mas, sobretudo, é uma amostra de amabilidade.

Original em Sheila Morataya
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