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Por Marian Horvat
Traduzido por Andrea Patricia
vida
Nossos olhos revelam quem e o que somos. Esta é a lição do capítulo VI do Little Manual of Civility [Pequeno Manual de Civilidade]. Estabelece as três responsabilidades que um jovem tem no cuidado desta feição.
Primeiro, um homem deve aprender a ler os rostos de seu próximo para que ele possa responder adequadamente a ele. Se ele faz isso, ele vai tomar cuidado para não provocar uma pessoa que está de mau humor ou com raiva. Ele pode evitar as relações com aqueles que são furtivos ou desonestos. Ele será inspirado pela honestidade e sinceridade do amigo. Em suma, como aconselha o manual, um homem tem o dever de se tornar um “leitor de face”. Ele também deve manter uma expressão amável e franca diante dos outros. Um jovem deve dominar a si mesmo e sua expressão. Como é desagradável para todos ver o mau humor, a face amuada do menino mimado ou o rosto mal-humorado do jovem temperamental.
Este primeiro ponto é particularmente interessante para nós, americanos, que tendemos a acreditar que rostos e olhares não refletem a disposição interna de uma pessoa. Devemos observar atentamente como é comum e normal para os outros povos considerar a análise da fisionomia como uma das coisas mais elementares que um jovem deve aprender a fazer.
Em segundo lugar, temos o dever natural de manter nossos olhos fisicamente limpos e guardá-los do perigo. Na época em que esse manual foi escrito, a televisão tinha acabado de ser introduzida e, conseqüentemente, era difícil imaginar a extensão dos danos e a fadiga ocular que pode resultar das longas horas assistindo TV ou sentado em frente a uma tela de computador habitual na maioria das casas hoje. Pode resultar em permanente dano ocular se não for tomado mais cuidado.
Em terceiro lugar, moralmente falando, o que nós permitimos que os nossos olhos vejam tem um efeito sobre o que pensamos. Nosso Senhor ensinou claramente que um homem pode pecar, mesmo mortalmente, com os olhos, se ele olha para as pessoas ou as imagens que evocam pensamentos impuros. Os homens devem praticar a custódia dos olhos desde a infância. Os bons pais e professores devem ensinar os jovens a evitar olhar para as fotos imorais, cenas más nas telas da mídia, e as coisas que podem levar a pensamentos pecaminosos.
Quantos pais equipam seus filhos com um capacete de triciclo para proteger o rosto e os olhos, e então ignoram os grandes perigos das imagens indecentes e vulgares em comerciais de televisão e anúncios de revista que entram e se fixam na mente da criança! Como muitos pais esquecem que seu filho percebe seus olhares de admiração e luxúria para as mulheres vestidas indecentemente e, posteriormente, irá imitá-lo! Uma criança e um jovem aprendem com o exemplo muito mais do que das lições em livros ou sermões sobre moralidade.
Esforcemo-nos, então, para compor a nossa manifestação pela prática da auto-disciplina e os nossos olhos pela prática de modéstia Católica.
Aqui está a minha tradução do Capítulo Seis.
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O exterior é o reflexo do interior
De todas as partes do corpo humano, a face é certamente a mais ilustre, nobre, bela e expressiva. O rosto é a parte do corpo humano que expressa externamente os sentimentos e as emoções de um homem. Nele se encontra uma pintura do homem interior: o espírito, vontade, sentimentos, emoções, dores e prazeres, virtudes e vícios.
Impressões e idade transformam a fisionomia, que pode ser descrita como a expressão geral do rosto. Um mesmo rosto serve para rir e chorar; a fúria é substituída pelo sorriso, uma palavra chocante ou ofensiva traz um rubor e uma intensa agonia moral gera um suor. Uma profunda tristeza cobre o rosto com um véu sombrio. A felicidade ilumina-o, um sorriso se propaga como um raio de luz. Os olhos brilham com prazer ou raiva, com contentamento e esperança.
Todas essas transformações são reflexos diretos de estados da alma, uma tradução definitiva dos sentimentos, pensamentos e estado de consciência de um homem. Nenhum sistema de telégrafo já possuiu tais sinais variados e rápidos.
Disto se segue que, ao lidar com os outros, cada pessoa deve ser um leitor de faces, isto é, ele deve saber ler e interpretar os sinais estampados na fisionomia das pessoas com quem vive e trabalha.
Outro dever que o convívio com os outros nos impõe é o de oferecer aos outros uma fisionomia amável e benevolente, onde outros lêem cordialidade e afabilidade. Um rosto que atrai ou repele outros não depende da regularidade ou das linhas naturais das nossas feições, mas sim, depende da expressão de bondade ou dureza que projetamos em nosso exterior.
Fisionomias repulsivas são aquelas que carecem de uma serenidade interior, intelectual ou moral, ou refletem desequilíbrio ou um estado frívolo da alma. Por exemplo, é perturbador ver uma pessoa manter um ar escuro e sombrio, durante uma narrativa feliz, ou ter um comportamento alegre, sorrindo ao ouvir a história de um desastre ou evento triste.
Os olhos são a luz do corpo
Os olhos são os órgãos mais nobres e preciosos que embelezam o homem. Com eles podemos desfrutar de um império de extensão ilimitada; podemos contemplar tanto o infinitamente grande usando um telescópio e o infinitamente pequeno, por meio de um microscópio, ambos, respectivamente imenso e maravilhoso.
Os olhos – e sua memória visual – são o cofre em que armazenamos as fisionomias dos nossos entes queridos, bem como os panoramas preciosos e as paisagens de nossa pátria. Nada traduz o pensamento e o espírito de um homem, tão bem como os olhos. Eles animam e iluminam a fisionomia; eles são a característica mais marcante e pessoal de um homem.

Santa Teresa de Lisieux disse que iria estudar as características de seu pai, Louis Martin (acima), para entender o rosto de Deus
Quando não podemos observar os olhos, tudo se torna indecifrável em uma fisionomia. Quando um homem esconde seus olhos atrás de óculos escuros, ele se torna enigmático. Para uma alma sincera, correta, ele parece estar escondendo um aspecto repreensível de seu caráter ou algum tipo de defeito.
Em cada pessoa, na infância, sobretudo, a clareza do olhar é o reflexo da pureza da alma. No olhar de uma mãe toda uma história de amor materno é condensada e resumida. Dos olhos vêm as lágrimas, sinais inequívocos de forte emoção. Entre os hebreus e os árabes, o olho significa fonte; na verdade, os olhos derramam rios de lágrimas, torrentes de raiva, ou um fluxo de bondade.
Há olhos que são furtivos, duros e secos. Outros são sinceros, límpidos, amáveis e cativantes. Alguns irritam, outros agradam. Alguns repelem, outros atraem e encorajam. O olhar humano tem uma indescritível influência e poder. A imagem do olhar do um pai e da mãe, por exemplo, ficará impressa na memória da criança durante a sua vida inteira. A doce luz dos seus olhos pode orientar as crianças no caminho correto. Feliz do filho que encontra tal olhar nas horas amargas da adversidade e da tentação! Quantos homens foram salvos do desespero pela compreensão que sentiram a partir de um olhar amigável.
Os olhos têm uma influência poderosa para cativar e seduzir ou repelir e aterrorizar, punir ou recompensar, para animar ou desanimar. Com seu olhar o homem domina os animais selvagens, doma leões e domina a ferocidade dos tigres.
O dever de cuidar dessas ferramentas preciosas
O primeiro dever natural é, então, tratar bem os nossos olhos. Cada instrumento, sobretudo quando ele é delicado, precisa ser mantido limpo para ser preservado em bom estado. Agora, temos apenas um par de olhos, por isso, eles devem ser tratados com o maior cuidado e consideração.
Não se deve ler ou escrever sem luz suficiente. Os jovens são frequentemente negligentes neste ponto, mais tarde, eles lamentam a sua imprudência, porque, mesmo neste mundo, todos têm que pagar as conseqüências das ações que transgridem as leis naturais sabiamente estabelecidas.
Da mesma forma, muita luz, como flashes repentinos e muito prolongados, é prejudicial aos olhos. As luzes fluorescentes das grandes cidades que piscam em várias cores, podem facilmente causar fraqueza nos olhos ou problemas. O mesmo pode ser dito para aqueles que assistem muita televisão, freqüentam as salas de cinema, ou utilizam equipamentos profissionais que causam tensão nos olhos.
Não é suficiente proteger os olhos contra esses perigos externos. Muitas vezes, podemos sofrer de problemas oculares graves, devido à falta de higiene. Nunca devemos tocar ou limpar esses órgãos delicados com as mãos sujas, dedos, panos ou lenços.
Respeito e pureza
Há outro cuidado muito importante que devemos ter, que é, sempre fazer bom uso de nossos olhos. A lei suprema é a de sempre guardar-los dentro dos limites da modéstia Católica. Nossos olhos não devem descansar sobre os objetos que despertam pensamentos maus.
Que nossos olhos nos sirvam para observar e admirar os grandes espetáculos da natureza e dos céus, as qualidades e a variedade prodigiosa de minerais, plantas e animais.
Devemos refletir ainda mais os olhares de nossos pais, lendo neles a sua ternura e amor; às vezes também podemos ler o desprazer que as nossas faltas causam. Seus olhares severos servem para nos corrigir e nos impedem de ir pelo caminho errado.
Os olhos de um bom filho expressam a reverência, amor e fidelidade, assim como os olhos de um mau filho revelam a mentira, a deslealdade e um mau estado de alma.
Em vez de olhares furtivos e enganadores, vamos procurar ter uma fisionomia aberta, franca, que é cheia de compaixão por um próximo que sofre, submissa e respeitosa para com os mais velhos, e ao mesmo tempo, sempre firme e decidida contra os inimigos de Deus e do país.
Os olhos são janelas da alma; para os incautos a morte espiritual entra por estas janelas. É necessário ser muito vigilante sobre o sentido da visão, pois a gula dos olhos, como diz Bossuet, é um vício que nunca pode ser saciado e não tem limites ou fundo. Se alguém não tem a custódia sobre os olhos, eles se tornam ganchos infernais que arrebatam a alma e faz com que ela caia em pecado. Basta lembrar a mulher de Putifar, que tentou seduzir José, os acusadores da casta Suzana; a imprudência do olhar de Davi em Betsabá e suas tristes conseqüências.
Os olhos são o espelho da alma. Átila, o feroz rei de hunos, tinha olhos de fogo pequenos, inquietos, sedentos de sangue e pilhagem. Em Mântua, foi subjugado pelo olhar sereno e grave de São Leão Magno. O olhar terno do Divino Salvador, abriu uma fonte perene de lágrimas de contrição e arrependimento na alma do infiel Pedro.
O espetáculo mais bonito do mundo
O rosto do homem inocente é tão bonito que um autor antigo estava certo quando afirmou que o espetáculo mais bonito do mundo é o rosto de um jovem de 20 anos que soube preservar a sua inocência.
Segue a descrição física do rosto e comportamento de Nosso Senhor de uma carta original do oficial romano Publius Lentullus em um relatório ao Senado:
“Apareceu nestes nossos dias um homem da nação judaica de grande virtude, chamado Jesus, que ainda está vivo entre nós… Um homem de estatura alta, e atrativa, com semblante muito reverente, daqueles que os espectadores podem tanto amar quanto temer. Seus cabelos claros e tendendo para castanho, cheio, lisos até as suas orelhas, mais cacheados e ondulados sobre seus ombros. É dividido ao meio da cabeça dele, à maneira dos nazarenos. Sua fronte é reta e ampla; a face sem manchas ou rugas, com um belo vermelho; o nariz e a boca tão consolidados que nada pode ser repreendido; a barba é espessa, da cor de seus cabelos, não muito longa, mas bifurcada; Seu olhar inocente e maduro; Seus olhos cinzentos, claros e vivos.
“Reprovando a hipocrisia, ele é terrível; admoestando, cortês e justo; Conversando é agradável e sério. Ninguém se lembra de tê-lO visto rir, mas muitos O viram chorar A proporção do corpo é mais que excelente; Suas mãos e braços são delicados ao contemplar. Falando, é muito temperado, modesto e sábio. Um homem, pela sua beleza singular, ultrapassando os filhos dos homens “












