Mostre a sua língua

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Por Arcebispo Fulton J. Sheen

Língua-de-Cobra

A nossa era é a mais faladora de toda a história, não só porque podemos multiplicar as palavras um milhão de vezes, quer através da imprensa, quer do rádio, mas também porque existe, poucas pessoas que gostam de escutar.

A própria juventude é chamada a expor os seus pontos de vista, antes sequer de ter tido tempo para adquirir os necessários conhecimentos e princípios. Hoje em dia, se alguém apoiar a fronte entre as mãos, em atitude de quem está a pensar, logo lhe perguntam se está com dor de cabeça. Aquilo que dizemos revela o que temos no coração.

A Escritura diz: “As palavras que afloram aos lábios transbordam do coração” … Sócrates disse e muito bem: “Fala para que eu te veja”.

O médico, quando quer averiguar as condições de saúde do seu doente, diz-lhe: “Mostre a língua”. Ora, se este membro registra em grande parte o estado físico, não resta dúvida de que patenteia também o estado moral. Se uma doninha se esconder nos baixos da casa, não tardará muito que a sua presença seja conhecida em todas as divisões da moradia por causa do cheiro pestilencial que lhe é peculiar. Se a inveja, o ódio, o mal e o ressentimento moram no coração, não demorará muito que se revelem por meio da língua.

… A palavra pronunciada, é semelhante à seta despedida; não será possível fazê-la recuar e as suas responsabilidades perdurarão para sempre.

Os escaladores alpinos pedem aos viajantes que não falem muito alto em certos pontos das montanhas, com receio de que as vibrações da voz precipitem uma terrível avalanche. A palavra precipitada e imprudente, ou a murmuração, têm provocado grandes crises na história e arrastado milhares de seres na sua onda de desgraça…

Uma palavra amável encoraja o coração desanimado, uma palavra cruel faz soluçar o infeliz ao longo do caminho que o levará à sepultura. É escasso o número de apóstolos do encorajamento no mundo dos nossos dias. A grande tragédia é que há muitos seres que não são amados como deveriam ser. Em vez de se procurar descobrir precisamente o lado mau das criaturas, cada qual deveria sentir-se feliz dedicando-se a descobrir o lado bom, alguma qualidade apreciável que elas possam ter.

Um grupo de varredores da rua discutia certa vez a pessoa de um camarada que falecera e do qual pouco bem podia dizer-se. Houve, porém, um colega, entre todos, que tomou a sua defesa, procurando no fundo do “barril do lixo” qualquer coisa de aproveitável que pudesse alegar em seu favor:

“Digam tudo o que quiserem, mas a verdade é que ele varria escrupulosamente todos os recantos!” É assim mesmo. Procurando bem, encontraremos sempre algo de bom; o que é preciso é saber encontrá-lo.

(Excertos do livro: Paz de espírito, pelo arcebispo Fulton J. Sheen)

Fonte: A Grande Guerra

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