Tags

, , , ,

Por Martha Morales
Traduzido e adaptado por Andrea Patrícia

O que é vendido nos últimos tempos, sob o nome de moda não é apenas “estilo”, mas “identidade”, não importa quem nós somos, mas quem parecemos ser.

Os líderes comerciais ditam como se vestir e o que vestir. Bastam alguns anúncios de publicidade, a imagem da modelo em trajes menores, para que hordas de jovens abarrotem as lojas atrás dos trapos mais sem graça.

Dizem que o problema de muitas mulheres hoje é querer ser celebridade. A exibição é o remédio infalível, que nunca deixa de ser de moda para ganhar atenção.

Nos tempos antigos função principal do vestuário era a de proteger e ser funcional. As pessoas mantinham a mesma roupa por um longo período de tempo. Pode-se dizer que a moda surge a partir do Renascimento.

Desde os anos 60 perdeu-se a uniformidade e se impõe o ecletismo em tecidos, vestuário e desenhos. Desde então vemos uma proliferação anárquica de estilos e tendências, onde é quase impossível falar de uma moda definida, porque em vez disso, assistimos a uma aparente multiplicação da oferta e, acima de tudo, porque se assume que o indivíduo – em relação à concepção do seu tempo livre – tem a última palavra na questão da moda.

A roupa que se exibe reflete o nosso estado de ânimo: alegria, tristeza, euforia, ansiedade… Quando uma pessoa está apaixonada isso aparece nos detalhes, é polida em sua aparência. A mudança é notada, antes era descuidada, agora é arrumada. Imitamos aquilo que mais ou menos conscientemente aspiramos a ser. Em nossa sociedade a imagem é muito importante, cada vez mais. A imagem faz com que a moda seja a chave para a comunicação. Como a moda muda em curtos períodos de tempo em comparação com a vida de uma pessoa, ela terá de ser adaptada à sua própria imagem. Você terá que controlar tudo aquilo que é desagradável ou que não está em conformidade com os ideais que quer transmitir aos outros. É muito importante este “crivo” da moda. Aí atuam as convicções da pessoa, seus valores, em última instância, a sua personalidade.

A questão mais importante, e que de um modo ou outro aglutina as demais, é a questão da moda e identidade. A moda pode servir como um fator superficial de integração social, especialmente para aqueles que não têm uma identidade bem definida – aqui se entende os grupos de adolescentes vestidos da mesma maneira -, mas a moda por si só, não pode proporcionar a identidade em sentido estrito.

O que é vendido nos últimos tempos, sob o nome de moda não é apenas “estilo”, mas “identidade”. A moda expressa livremente o que nós somos. A vestimenta da mulher tem que ajudar os outros a descobrir esse algo distinto que há em todas as pessoas: o seu rosto, seus gostos, a sua vitalidade. Para que ao mirarmos este ser humano, a visão não fique fixa no físico – no umbigo -, mas que transcenda as suas qualidades, a inteligência, a vontade, valores e habilidades.

A moda leva a buscar uma “aparência”, a inclinação que prontamente nos leva a nos assemelhar aos nossos contemporâneos e ao mesmo tempo a nos destacar deles.

A sociedade inteira, antes tinha a percepção de que havia um limite.

Agora, a moda impõe a falta de pudor. A novidade de nosso atual contexto cultural é que ninguém se envergonha de deixar partes do corpo descobertas. Há modos de exibir a realidade humana que, em vez de revelar o seu sentido, acabam por banalizá-lo, e por ocultar sua verdade profunda. Sem mistério não há revelação.

“O desmedido culto ao corpo -diz o sociólogo José Pérez Adán- e a importância que às vezes se dá à beleza, deixou em um segundo plano as grandes perguntas da pessoa; já não importa quem somos, mas sim quem parecemos ser. É uma ficção que dá medo e insegurança. O medo reside em nos encontrar desmascarados, nos olharmos no espelho e nos confrontarmos com a pergunta primária: quem somos”.

No fundo, há quem procure, mais que exibir a intimidade, rebelar-se, e a vulgaridade é a maneira mais rápida e cômoda de fazê-lo. “A vulgaridade pode entender-se como atuar sem fundamento, sem hierarquizar nem valorar, dando importância só ao superficial”, afirma Mireille Meján, historiadora e psicóloga.

Remar contra a vulgaridade na moda é ir a favor da plenitude humana

Não se trata de suprimir a moda, mas sim de respeitar seu matiz de expressão da interioridade.

Dizemos que uma pessoa tem muito estilo quando sabe aproveitar a roupa e os adornos, e comunicar elegância, simplicidade, naturalidade, etc. Por outro lado há outras pessoas que seguem a moda, mas sem estilo. Daí que pode triunfar uma moda quando é atrativa para a maioria e quando permite aos indivíduos expressar sua maneira de ser, com elegância, através dela (Juana Castro).

O corpo é “a palavra do espírito”, diz Alfonso López Quintas. Através dele podemos enviar mensagens e incentivos eróticos. A falta de interioridade de uma pessoa a conduz a imitar o que é exterior a ela, sem descobrir sua contribuição pessoal inédita, feito que faz da pessoa uma novidade radical.

O ser humano tende a espiritualizar tudo: a sexualidade, o descanso, a comida… Não come como os animais: põe uma toalha, usa talheres, põe flores na mesa e, às vezes, até música suave. “O adorno é natural no ser humano, porque representa um dos modos em que o espírito se manifesta finalizando o corpóreo”, escreve Virgina Aspe Armella, filósofa.


Original aqui
.