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“Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio. Aquilo que Deus pede é recordar sempre que a moda não é, nem pode ser, a regra suprema de conduta; que acima da moda e de suas exigências, existem leis mais altas e imperiosas, que não podem ser sacrificadas ao talante do capricho, e diante das quais os ídolos da moda devem saber inclinar sua fugaz onipotência”
(Papa Pio XII)

Mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio, diz o Santo Padre, Papa Pio XII. Bom, mas quem quer saber do que diz o Papa? Nós católicos devemos querer saber o que ele diz, principalmente em se tratando de matéria de fé e moral. O católico deve buscar aprender o que diz o Magistério da Igreja, o que diz o Papa.

O Papa Pio XII, como bom pastor que era, preocupava-se com os fiéis, e entre vários assuntos tratou também da moda. Fez discursos para estilistas, para moças e mulheres da Ação Católica, tratou do assunto em alocuções no rádio. Ele via o mal que certas modas contrárias à moral estavam causando e advertiu suas filhas e filhos sobre os perigos causados à alma pela adesão aos modismos imodestos.

Mas hoje, quem conhece tais palavras? E quem, as conhecendo, dá alguma atenção a elas? Hoje vemos os católicos em tal estado de alienação que é de dar pena. O relativismo tomou conta de tal maneira da mentalidade católica que até mesmo padres acham ruim falar sobre modéstia, pois crêem, dentro de um pensamento bastante sentimentalista, que o que importa é o que está no coração. Ora, mas o que está no coração de moças e mulheres que chegam na frente do Santíssimo usando decotes que deixam à mostra seus seios (que deveriam estar guardados para seus maridos!), usando tomara-que-caia (e expondo a marquinha do biquíni), minissaia, alças fininhas (expondo muita pele e correndo o perigo de mostrar os seios também) além de roupas totalmente transparentes com direito a sutiã caído e tudo o mais? Quer algo mais imodesto que isso? Misericórdia!

Os homens também não deixam por menos! É um festival de bermudas, regatas, camisetas com as estampas mais ridículas, camisas de times de futebol – que tiram a atenção de todo mundo, pois são super chamativas -, chinelos e também roupas transparentes (com seus mamilos apontando na cara de qualquer um… como é feio!), calças caídas mostrando a roupa de baixo entre otras cositas más. Tudo isso dentro das igrejas, na Santa Missa.

As pessoas caíram num tal relativismo que não têm mais respeito pelo momento que vivem (a Santa Missa), nem pelo lugar que estão (a Igreja). Hoje tudo fica na base da opinião pessoal, do achismo, do “eu gosto, eu não gosto”. E ai de quem falar algo! É logo tachado de antiquado, extremista ou até mesmo puritano, pasmem! Mas que palavrinha para ser mal empregada nos dias de hoje! Até entendo que gente não-católica faça uso indevido dela, mas católicos usando o termo para mostrar a discordância com quem pensa diferente deles, é difícil de agüentar. Esta palavra está sendo usada do mesmo jeito que a palavra “fascismo” que sai da boca dos comunistas toda vez em que querem diminuir quem é de direita. Ou seja, não há debate, não há busca pela verdade, há simplesmente a acomodação às suas próprias idéias e caprichos. Quem pensar diferente e quiser se guiar pela modéstia, pela moral católica, vai ser rechaçado como se fosse um puritano. Just like that!

Querem ver um exemplo? Outro dia eu estava caminhando com colegas de trabalho e passamos em frente a uma loja onde na vitrine estavam expostos manequins com roupas tão curtas que só passavam um pouquinho da altura do bumbum e mal cobriam as coxas. Eu então exclamei: “cadê o resto da roupa?” E sabe qual a primeira palavra que saiu da boca de meus colegas condenando minha atitude? “Puritana“.  É isso, minha gente, defender a moral hoje é ser visto como puritano. Triste, mas é a realidade. O grau de indecência ao qual descemos é tão grande, que mesmo os católicos não conseguem mais perceber os males causados por roupas imodestas e rotulam de fanático, extremista e puritano quem ouse dizer que tais roupas são contra a moral, são empecilhos para a proteção, manutenção ou para a obtenção da pureza.

Mas como eu quero mesmo é me guiar pela modéstia de acordo com o que a Igreja ensina, então estou sempre buscando os textos referentes ao assunto.

Como podem se dizer modestos os que não guardam praticamente nenhum mistério, usando roupas coladas, transparentes, decotadas e curtas, expondo suas partes ou as partes mais próximas das áreas sexuais (as áreas sedutoras, aquelas que a moda atual faz questão de exibir) aos olhos de quem quiser e não quiser ver? Como podem estar caminhando na virtude os que perderam o pudor e se expõem assim até mesmo dentro das igrejas? É simplesmente falta de respeito e não será falta de fervor religioso também? Este tipo de atitude é grande caminho andado para a tibieza, para a acomodação espiritual.

A Igreja fala sobre a modéstia porque esta virtude é essencial como guardiã da pureza. Diz o Evangelho que os “puros verão a Deus”. Não é nos guiando pelos nossos próprios caprichos que iremos nos purificar, é nos guiando pelo que a Igreja ensina que conseguiremos fazer a vontade do Pai.

“Todo aquele que olha para uma mulher com desejo libidinoso já cometeu adultério com ela em seu coração”
(Mt 5,28).

Muitos católicos hoje descartam esta passagem bíblica, ignoram-na ou não pensam nela devidamente. Ora, se apenas olhar para uma mulher com desejo libidinoso é pecado, então como encorajar (ou não proibir) o uso de roupas indecentes até mesmo dentro das igrejas? Sabemos que o homem é orientado visualmente, que o que chama a atenção dele em primeiro lugar é o que ele vê e que devido ao pecado sua natureza ficou corrompida fazendo com que não consiga mais olhar livremente para uma mulher atraente sem sentir desejo. Para que ele não sinta nada tem que fazer muito esforço, e nem sei se todo o esforço que ele fizer vai adiantar alguma coisa. Sendo assim é dever de todos buscar a modéstia e estar em sociedade de forma decente. Se um homem olhar para uma mulher decente e ainda assim pecar, aí é problema dele, e não podemos usar este tipo de comportamento com desculpa para usar roupas indecentes como ouço por aí: “ah, mas eles olham para qualquer coisa e sentem desejo! Então eu vou usar minissaia, decote e roupa justa, porque não adianta mesmo“. Ora minha gente, isso é puro cinismo ou o quê? Cegueira mesmo? Eu nem sei do que se trata e olhem que eu já pensei mais ou menos assim também, mas ainda não consegui decifrar esta atitude. Se a mulher se apresenta de forma a atrair a atenção de outro que não seja seu marido, pecam os dois (ou mais, sabe-se lá quantos vão fantasiar com a mulher vestida imodestamente!). E é claro, há em primeiro lugar o fato de que o corpo é templo do Espírito Santo e como tal, deve ser velado para que seja visto com respeito e não com luxúria.

É isso o que devemos ter em mente em primeiríssimo lugar: nossos corpos são templos do Espírito Santo de Deus, devemos então cuidar dele com mais amor, com atenção, não devemos expô-lo de forma vulgar, nem devemos nos deixar guiar pela vaidade em nos mostrar lindas para que os outros nos invejem nem desleixadas para que os outros pensem que temos santidade por não dar a justa atenção para as coisas materiais. Temos que buscar ser honestas, temos que buscar a virtude da modéstia, não basta se acomodar achando que já sabemos de tudo e implicar com quem continua buscando, com quem estuda e se preocupa com os temas morais. A mim parece que quem assim age tem medo de ser importunado pelo outro , tem receio de ter que mudar seu comportamento (e como consequência seu guarda roupa) por descobrir que está errado. Então para nem ter que descobrir nada, ele simplesmente rechaça o que os outros têm a dizer, dizem que estão exagerando, que basta se guiar pelo próprio coração entre outras coisas. Mas como estão nossos corações? A virtude está neles? Já parou para pensar nisso? Quem busca apenas se auto-justificar nunca chegara à verdade e muito menos agradará a Deus!

Em Fátima, Nossa Senhora disse que os pecados que mais levam para o inferno são os da carne e advertiu sobre as modas indecentes que ofendem Nosso Senhor, mas quem dá atenção a isso? Hoje as católicas em sua maioria preferem seguir o que diz alguma fashionista famosa ou alguma atriz mais estilosa. Nossa Senhora que é bom, nada. Mas ela é o nosso mais perfeito modelo de mulher! Então porque não dar ouvidos ao que ela diz? Ela vem em nome do Senhor! Cheia de pureza e caridade, modelo perfeitíssimo de modéstia, então porque não querer realmente ouvi-la?

Será que ela aprovaria essas modas que deixam de fora o colo feminino, as costas, a barriga, as coxas? As modas que marcam o corpo revelando a lingerie e até mesmo as parte íntimas? As modas que mostram as formas nas calças justas e nas costas nuas? É claro que não. Pois nada disso guarda a intimidade, nada disso guarda o mistério necessário, porque tais partes são ligadas ao ato sexual, ato este que é sagrado! Como é que se mostra por aí as áreas que fazem parte de algo sagrado? Como é que não se envergonham as mulheres católicas ao se exporem por aí, mulheres que receberam educação e que até mesmo já tiveram algum contato com a teologia moral e com os escritos sobre modéstia, como o Catecismo Romano, por exemplo? Como é que acham que está bom cobrir um pedacinho e deixar outro tanto à mostra, quando tal atitude até aumenta mais a curiosidade e o desejo, já que se torna um jogo de mostra e esconde, jogo este tão caro aos desejos masculinos? Acham que cobrir um pedaço do seio ou das coxas e deixar outro tanto à mostra é algo decente? Que cegueira é esta? Ora, esta atitude não difere em nada daquela do mundinho fashion, tão criticado pelos santos e pelo Papa Pio XII! O mundinho que dita a moda diz que é bonito a mulher mostrar um pouco dos seios, um pouco ou muito das coxas, um tanto assim das costas. Tudo isso vai contra a modéstia, tudo isso mostra falta de pudor. Como seguir tais conselhos? São conselhos da “porta larga”, não levam a nada de bom.

Eu espero que este debate sobre modéstia que vem acontecendo no Brasil e no mundo renda bons frutos, que as pessoas passem a se voltar mais para o que diz a Igreja e que não se guiem simplesmente pelos seus caprichos, fazendo birra e escolhendo usar roupas “mais ou menos indecentes” dando desculpas e se achando bem vestidas ou até pior, se fazendo passar por modestas ou pudicas. Espero que nós todos possamos aprender a nos guiar pela luz do Espírito Santo e não por nossas próprias idéias maculadas com imoralidade, porque sabemos que de nós nada procede de bom. Espero que nós todos tenhamos boa vontade em buscar aprender sobre modéstia, em buscar mudar. Aos poucos, mas com firmeza, um dia chegaremos onde Nossa Senhora quer que cheguemos.

A porta é estreita, pessoal. Ninguém disse que seria fácil.

E lembrem-se que mesmo seguindo a moda, a virtude está no meio!
vida