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Por Irene Yung Park

 

A moda é um meio de comunicação. Externa o comportamento, o modo de pensar e agir. É uma linguagem silenciosa, porém significativa. Exemplos dessa linguagem são a era Mao, na China, com a uniformização na maneira de se vestir, e a Belle Époque, externando a efervescência cultural em suas roupas.

A indústria fashion tem cada vez mais dificuldade em traduzir essa forma de comunicação, distanciando-se de seus consumidores. Os desfiles das grandes semanas de moda assemelham-se a shows e tornam-se “circo de paparazzi”. As grifes criam suas próprias tendências e as antecipam, ao invés de captarem as mensagens emitidas pela sociedade.

Entretanto, alguns profissionais, como o estilista Oscar de La Renta, obtêm sua inspiração na “mulher da rua” e fazem roupas para pessoas reais. Da mesma forma, a rede espanhola Zara captou muito bem essa mensagem criando peças acessíveis, mas, com estilo, e consideram suas lojas mais que meros pontos de venda: “olhos e ouvidos” da sociedade.

O presidente da Altaroma (desfile anual de Roma), Stefano Dominella, alega que a moda tende a morrer se não entrar no mundo, e que seu destino está em saber interpretar as demandas da sociedade, em voltar a ser fonte de inspiração e de definição da imagem, de ajuda na transmissão de caráter e integridade da pessoa. 

Com a imposição das grandes indústrias ditadoras de tendências, aqueles que não possuem características necessárias para se encaixar em seus padrões são esquecidos. Esse processo fica evidente hoje na adolescentização da moda, sendo difícil encontrar peças para pessoas entre 35 e 60 anos condizentes com sua idade e tamanho, criando, muitas vezes, vítimas da moda. A GAP, uma grande varejista americana, percebeu a dificuldade desse público e declarou que está disposta a atendê-lo com seu novo mercado, abrindo 30 lojas até esse ano.

A moda ideal deve ter uma comunicação direta com o público; se preocupar com o cotidiano, visando a todas as facetas da vida: social, familiar, profissional; e destinar-se a todas as variações de tamanhos, cultura e idade. Pode ser menos pomposa e brilhante, no entanto, mais receptiva. Deve deixar a pessoa em harmonia com suas qualidades, lhe dar auto-estima e segurança, ser prática, priorizando a qualidade, o conforto, a funcionalidade, projetando seus dotes e minimizando seus defeitos.

Duas grandes desenhistas voltadas para essa moda são Sonia Speciale, que trabalha para a empresa Erreuno, e Gigliola Curiel, que, seguindo a tradição de sua família, faz parte da dinastia da alta moda italiana. Ambas projetaram-se no mercado internacional alcançando pólos da moda mundial: Milão, NY, Barcelona, Paris e Londres. Dividem pontos de vistas muito semelhantes em relação ao modo de se vestir considerado elegante: são roupas simples e usuais, que valorizam o corpo, fazendo com que a pessoa se sinta bem, e satisfeita consigo mesma. Completam, ainda, que é necessário, na hora de comprar uma roupa, levar em consideração a beleza e o conselho de alguém confiável de que a roupa lhe cai bem.

A autora:
Irene Yung Park é diretora criativa da Attex Communication & Consulting.
Fonte: Aceprensa/ março de 2006* Conheço muito pouco do trabalho das estilistas citadas. Publiquei aqui este artigo mais por causa das reflexões que podem ser feitas sobre o papel do estilista e da indústria da moda hoje.

**Os grifos são meus.

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