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Dois trechos do grande Chesterton sobre a modéstia feminina*, incluindo o vestuário e a questão calça X saia. O primeiro trecho é extraído de seu livro “What’s Wrong with the World”. (1)

Com vocês, Chesterton:

“Há uma terrível armadura de gelo que pode ser a legítima defesa de um organismo mais delicado (…). O grito instintivo da mulher com raiva é noli me tangere [não me toque]. Eu tomo isso como o mais óbvio e ao mesmo tempo mínimo exemplo banal de uma qualidade fundamental na tradição feminina que no nosso tempo tem a tendência de ser quase infinitamente mal entendida, tanto pela escala dos moralistas quanto pela escala dos imoralistas. O nome correto para a coisa é modéstia, mas como vivemos em uma era de preconceito e não se deve chamar as coisas pelos seus nomes corretos, vamos ceder a uma nomenclatura mais moderna e chamar-lhe dignidade. Seja o que for, é a coisa que milhares de poetas e milhões de amantes chamaram de a frieza de Chloe. É parecido com o clássico, e é pelo menos o oposto do grotesco. E já que estamos falando aqui principalmente em tipos e símbolos, talvez tão boa quanto a incorporação de qualquer idéia pode ser encontrada no simples fato de uma mulher vestindo uma saia. É altamente típico da falsificação raivosa, que agora passa por toda a parte por emancipação, que até pouco tempo atrás era comum para uma mulher “avançada” reivindicar o direito de usar calças; um direito tão grotesco como o direito de usar um nariz falso. Se a liberdade feminina avança mais pelo ato de vestir uma saia em cada perna eu não sei, talvez as mulheres turcas possam oferecer alguma informação sobre o isso. Mas se a mulher ocidental anda (como se fosse) arrastando as cortinas do harém com ela, é quase certo que o tecido da mansão é feito para um palácio perambulante, não para uma prisão perambulante. É bem certo que a saia significa dignidade feminina, não submissão feminina; isso pode ser provado pelo mais simples de todos os testes. Nenhum governante se vestiria deliberadamente com as correntes de um escravo; nenhum juiz iria aparecer vestido com as roupas de um presidiário. Mas quando os homens desejam ser seguramente impressionantes, como os juízes, os sacerdotes ou os reis, eles usam saias, as longas, longos paramentos (2) da dignidade feminina. O mundo inteiro está sob o governo da anágua; até mesmo os homens usam anáguas quando pretendem governar.”

“Todo o tempo a aristocrática sufragista está afirmando veementemente que ela deixará de ser um brinquedo, uma boneca, uma dançarina, uma coisa meramente ornamental, um prazer, ela está vestindo-se mais e mais como se isso fosse exatamente o que ela é.” (3)

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Notas:

(1) G. K. Chesterton. “What’s Wrong with the World”. Disponível aqui.

(2) No original “trailing robes”, que significa paramentos que se arrastam pelo chão, que deixam rastro. Vestidos muito longos.

(3)  G.K. Chesterton, “Fashionable Suffragettes and the Truly Feminine,” The Illustrated London News, . Trecho extraído de Modestly Yours.

*A tradução é minha, e Chesterton é dificílimo de traduzir.