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Por Lisa Nash

Traduzido por Andrea Patrícia

 

Quando eu era uma jovem na escola, eu era uma pessoa muito quieta. Eu não discursava ou colocava minhas opiniões, e quando eu falava que era muito baixinho. Não estou certa exatamente por que eu era assim, mas eu sei que eu gostava de pensar sobre as coisas antes de falar, e eu gostava de sentir que eu tinha um bom conhecimento de uma situação e de uma conversa antes que eu entrar nela.

De certa forma, essa tendência permanece comigo. Enquanto eu aprendi a ser muito mais extrovertida e exteriormente amigável, eu ainda tenho uma reserva com relação a eventos do tipo “conheça e cumprimente”- eventos sociais desestruturados em que pessoas que não se conhecem (e ainda assim quando eu estou lá todos parecem se conhecer, apenas não a mim) andam para lá e para cá, bebem coquetéis e tentam falar umas com as outras. Eu nunca sei o que dizer, ou a quem, e eu sempre me sinto como se estivesse interrompendo uma conversa só para anunciar minha inábil, desajeitada presença. Eu prefiro muito mais conhecer pessoas lentamente. Ainda mais do que falar sobre as coisas, eu gosto de escrever sobre elas, porque eu posso escrever com uma lenta, cuidadosa, deliberação que não é possível na conversa.

O que isso tem a ver com modéstia? Bem, nestes exemplos eu vejo um modelo, uma estrutura paralela, que podemos usar para entender os benefícios da modéstia.

Em resposta a minha timidez, as pessoas geralmente tinham uma de três respostas: a indiferença, interesse e hostilidade. Os colegas indiferentes simplesmente procuravam amigos que tinham mais o seu jeito, mais interessantes, mais vistosos, etc. Os interessados ouviam bem o suficiente para saber o que eu tinha a dizer, e muitos deles se tornaram meus amigos. As pessoas hostis, sendo a minoria, talvez tenham causado a maior impressão em mim por sua insistência em que ser tímido é ser errado – que esconder alguma coisa do mundo era um insulto para o mundo e um sinal de maldade ou doença de minha parte. Estes eram os professores que me faziam levantar e gritar as minhas respostas mais e mais até que elas fossem suficientemente altas e eu fosse suficientemente humilhada, e os colegas que me interrompiam no meio da frase a dizer “O QUE? NÃO CONSIGO OUVIR VOCÊ”, e depois viravam para ir embora antes de eu terminar de falar. No entanto, por ser tímida, e, finalmente abraçar a minha timidez, eu realmente tornei-me mais confortável comigo mesma e, como resultado, menos tímida, porque me senti segura o suficiente para revelar os meus pensamentos a quem eu queria, quando queria, e não um pouco mais cedo do que eu queria.

E assim é com a modéstia. Em meus dias de solteira, eu me deparei muito com as mesmas reações sobre a minha escolha em vestir e agir de forma mais modesta, como eu fiz quando eu era uma jovem garota tímida: a maioria das pessoas era completamente indiferente sobre mim, algumas pessoas estavam interessadas em me conhecer (principalmente o meu marido bonito e virtuoso), e algumas pessoas eram muito hostis. Lembro-me de uma conversa que tive com alguém com quem tive alguns breves encontros logo após a faculdade. Ele me perguntou por que eu era do jeito que eu era, porque eu insistia em manter guardadas partes de mim, o que me dava o direito de ser tão confidencial com as partes íntimas de mim mesma.   Meus ideais elevados foram eram muito bons para uma garota de vinte anos de idade, ele disse: “Mas quando você tiver trinta anos e for solteira, vai mudar a sua música.”

Escusado será dizer que o relacionamento entrou em queda livre pouco depois, mas sua calma insistência que a minha modéstia levaria a algum tipo de solidão por punição cármica me fez pensar, e ainda hoje me faz pensar: por que houve tanta hostilidade? O que importa para alguém se eu não quero mostrar minhas pernas? Porque é que os limites e decoro são tão ameaçadores?

Eu suspeitei disso quando eu saí da sua vida em direção a algo melhor, e eu sei disso agora, em um maior grau ainda: jovens mulheres modestas assustam as pessoas, porque elas tomam o controle de sua própria narrativa. Elas não se permitem serem colocadas como a virgem ou a prostituta, elas não oferecem cada um dos seus atributos físicos para avaliação e julgamento. Elas se atrevem a dizer que alguma coisa deles vale mais do que isso, que é tão especial e importante que não é da sua conta.

Quando eu era jovem e tímida, eu não permitia muitas pessoas tivessem acesso aos meus pensamentos. Desde então eu descobri uma certa força nas minhas palavras quando são corretamente aplicadas, e, infelizmente, mesmo quando elas não são. Eu poderia dizer (i)modestamente que eu senti essa força na minha juventude e fiquei um pouco assustada com isso, e queria tratá-la com cuidado; a minha timidez me permitiu lidar sobre o que eu queria dizer e, finalmente, no meu próprio tempo, permitiu-me dizê-lo.

E assim eu quero dizer, para o meu eu antigo e para todo mundo que encontra-se onde eu estive uma vez – sentindo-se à deriva em um mar de indiferença com poucos interessados e almas hostis boiando sobre as ondas:

Quando eles tentam chamá-lo para fora, tentam vos envergonhar sobre sua modéstia, quando eles tentam insistir que você é estranha ou puritana ou esnobe ou terrivelmente teimosa ou doente mental porque você não se expõe, saiba em seu coração que é porque eles sentem exatamente o que você faz: que o que você está mantendo para si é valioso. Sinta o poder de saber que há algo em você que vale a pena manter como um segredo delicioso, até que você esteja pronta para contá-lo.

Original aqui.