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Por Marian T. Horvat

Traduzido por Andrea Patricia

Na mesma época que começaram os Jogos Olímpicos em Atenas, foi anunciado que João Paulo II tinha criado um departamento no Vaticano para incentivar esportes entre os jovens. Fiquei muito desapontada ao ver no item um incentivo incondicional de todos os esportes – sem uma palavra de alerta sobre a modéstia e o decoro geral que a Igreja Católica sempre ensinou, especialmente para as mulheres.

Eu não sou uma entusiasta de esportes competitivos para as mulheres. Antes do Concílio Vaticano II, nem a Igreja Católica era. Sempre foi entendido que a natureza violenta de muitos esportes é incompatível com o espírito feminino. A demanda por vestuário de esportes imodesto, por exemplo, o maiô, roupas de acrobacia, trajes de ginástica, etc., imposta sobre as meninas sob o pretexto de praticidade, destrói seu espírito natural de modéstia.

Mas não é só vestir o que é desagradável, as posições e posturas que as moças e as mulheres assumem são frequentemente vulgares e, muitas vezes claramente indecentes. Basta considerar as rotinas acrobáticas da ginasta americana de 16 anos de idade que ganhou a medalha de ouro em Atenas. A figura ágil da jovem em roupa de ginástica, que revela cada linha de seu corpo se tornou um modelo para uma multidão de jovens, que irão se inscrever nas aulas de ginástica e imitar suas escassas roupas, seu penteado e posar, sem um pensamento sobre o vestuário imodesto, com as posturas indecentes que o esporte dita.

 

A violência de certos esportes é completamente contrária ao espírito feminino. Além da imoralidade da roupa, há uma ação contra a natureza.

Essas meninas são dignas de pena por causa da grave falta de orientação moral. Sem essa orientação é mais ou menos inevitável que elas cheguem a um nível moral (ou imoral) inerente a tais esportes, como hoje. A culpa não deve ser jogada, principalmente, sobre elas, mas sobre aqueles que deveriam ter fornecido a direção. Ou seja, a Igreja Conciliar. O silêncio da autoridade da Igreja sobre o tema é preocupante. Antes do Vaticano II, a Igreja não era muda sobre este importante tema. Parece oportuno oferecer alguns exemplos.

O perene ensinamento moral da Igreja

Pio XI emitiu uma carta ao Cardeal Vigário de Roma, expressando seu desacordo com a iminente competição nacional de ginástica e atletismo para as mulheres. Os meios utilizados para dar saúde ao corpo, “o instrumento nobre da alma”, declarou ele, devem levar em conta a adequação do tempo e do lugar. Eles não devem excitar vaidade ou promover a imodéstia. E eles não devem diminuir a reserva e o autocontrole de uma jovem mulher, que são o ornamento e a garantia da virtude” (Carta A Lei, Vicario Nostro, 2 de maio de 1928).

O Papa Pio XII, que viu com preocupação o avanço dos estilos modernos imodestos para as mulheres, muitas vezes lembrou que as moças sejam vigilantes contra perigos que ameaçam a pureza. Ele ofereceu a delicadeza de consciência do mártir Santa Perpétua como exemplo:

“Quando ela foi lançada ao ar por um touro selvagem no anfiteatro de Cartago, o seu primeiro pensamento e ação, quando ela caiu no chão foi para arrumar o vestido para cobrir sua coxa, porque ela estava mais preocupada com a modéstia do que com a dor” (Alocução às Meninas da Ação Católica, 6 de outubro de 1940).
Moda e modéstia devem andar de mãos dadas como duas irmãs, continuou ele, porque ambas as palavras derivam do latim modus, significando uma medida certa. Ele advertiu:

“Muitas mulheres têm esquecido a modéstia cristã por causa da vaidade e da ambição: se apressam miseravelmente em perigos que pode significar a morte de sua pureza. Elas lançam-se à tirania da moda, mesmo que seja indecente, de tal forma que parecem nem mesmo a suspeitar que é inconveniente … Elas perderam a própria noção de perigo, elas perderam o instinto de modéstia” (ibid.).

Um ano depois, felicitou as moças da Ação Católica pelo início da “Cruzada pela pureza”, ele encorajou um espírito militante contra a impureza. A vida do homem sobre a terra permanece sempre uma guerra, disse ele, e as mulheres jovens têm uma luta específica contra os perigos da imoralidade no campo da moda e do vestuário, da saúde e esportes. As armas que devem assumir para a luta, Pio XII disse a elas, são palavras, roupas e comportamento que exibem um alto padrão.

É realmente uma guerra, o Sumo Pontífice alertou. A pureza das almas que vivem em estado de graça sobrenatural não é preservada sem luta. Um heroísmo especial é necessário para contrariar a opinião pública, para estar além de estilos populares, recreativos e desportivos. Isto é ainda mais difícil por causa da “atitude indulgente, ou melhor dito, a atitude negativa de uma parte cada vez maior da opinião pública, o que a torna cega para os mais graves distúrbios morais” (Alocução de 22 de maio, 1941).

Ele foi bastante específico sobre as coisas que as mulheres jovens devem evitar a todo custo:

• “As roupas que dificilmente são suficientes para cobrir a pessoa;
• “Outras que parecem feitas para enfatizar o que deveriam resguardar;
• “Os esportes que são realizados com tal roupa;
• “O tipo de exibicionismo que é inconciliável mesmo com o padrão menos exigente de modéstia” (ibid.).

Algumas Objeções

* O Papa Pio XII dirigiu uma objeção ao argumento que já estava sendo levantado sobre a conveniência das novas modas desportivas. Algumas mulheres jovens, observou ele, a oferecem objeções práticas, dizendo que “uma certa forma de se vestir é mais conveniente, ou até mais higiênica”. Este tipo de protesto é comumente ouvido hoje: “Como posso fazer acrobacias em um vestido? Você não pode jogar futebol com uma saia”, e assim por diante.

Como o Papa Pio XII responder? Muito simplesmente, mas com firmeza, ele afirmou:

“Se uma forma de se vestir se torna um perigo grave e imediato para a alma, não é certamente higiênica para o espírito, e você deve rejeitá-la” (idem).

Novamente, ele voltou-se para o exemplo dos mártires para fazer seu ponto. Ele desafiou jovens a seguirem o exemplo das meninas, como Santa Inês e Santa Cecília, que sofreram torturas do corpo para preservar a sua inocência virginal e salvar suas almas:

“Você, então, pelo amor a Cristo, no amor à virtude, não encontrariam no fundo de seus corações a coragem e a força para sacrificar um pouco de bem-estar – uma vantagem física, se quiserem – para a conservação e segurança da vida pura de suas almas? “(ibid.).

Além disso, acrescentou, se alguém não tem o direito de pôr em perigo a saúde física dos outros simplesmente para seu próprio prazer, então certamente é ainda menos lícito comprometer a saúde de suas almas.

* Com isso, o pontífice voltou-se para outra objeção, também comumente ouvida hoje: que as modas indecentes populares não causam às mulheres jovens qualquer prejuízo moral ou as leva a assumir nenhum compromisso pessoal com a pureza. Ele respondeu:

“Mas como você pode saber alguma coisa da impressão causada sobre os outros? Quem pode garantir que os outros não retiram daí incentivos para o mal? Você não conhece as profundezas da fraqueza humana… Oh, como realmente foi dito que, se algumas mulheres cristãs pudessem suspeitar as tentações e quedas que causam em outros com os modos de vestir e familiaridade no comportamento, que elas consideram como irrefletidamente sem importância, ficariam chocadas com a responsabilidade que é delas“(ibid.).

* Pio XII, acrescentou uma palavra forte de alerta às mães católicas que imprudentemente permitem que os seus filhos e filhas acostumem-se “a viverem mal vestidos.” A relevância das suas palavras faz com que valha a pena repeti-las em benefício dos pais e mães de hoje, muitos que são bem intencionados, mas ignorantes dos perigos das roupas indecentes que se tornaram comuns hojeem dia. Ele afirmou energicamente:

“Oh mães cristãs, se vocês soubessem que futuro de ansiedades e perigos, de mal suprimida vergonha vocês preparam para seus filhos e filhas, deixando-os imprudentemente acostumados a viver pouco vestidos e fazê-los perder o senso de pudor, vocês iriam se envergonhar, e temeriam o dano que estão fazendo a vocês mesmas e os danos que vocês estão fazendo a essas crianças, a quem o Céu confiou a vocês para serem educadas como cristãs.” (ibid.)

Há algo ainda mais condenável, continuou ele, e isso é para as mães e outras mulheres entre os fiéis – e as mulheres piedosas entre elas – que é mostrar a aprovação das modas indecentes, vestindo elas mesmas essas modas. No momento em que uma moda “questionável” aparece em pessoas “para além de qualquer reprovação”, advertiu ele, outros já não hesitam em seguir a corrente, “uma corrente que talvez os arraste para as piores quedas” (ibid.).

Finalmente, Pio XII encorajou meninas e mães Católicas a se reunir para fazer um esforço comum para lutar contra essas formas de vestuário, comportamento e entretenimento. A união faz a força, e até mesmo um pequeno grupo de “resoluto e não tímido espírito cristão” pode exercer uma influência forte e dar um poderoso exemplo moral. (ibid.)

Este é o ensinamento moral da Santa Igreja Católica, que parece ter sido esquecido pelas autoridades religiosas, que deveriam enfatizar-los. Certamente, os perigos que os Papas anteriores, de modo prudente, avisaram sobre não diminuíram, mas aumentaram drasticamente. A moda se tornou mais ousada, a complacência para com imodéstia cresceu; mais meninas e mulheres estão se engajando no esporte violento, mesmo luta e futebol; linguagem viril e indecente, posturas e atitudes permeiam grande parte do ambiente esportivo.

Tudo fala da necessidade de um desafio renovado de uma “cruzada pela pureza” para mulheres jovens que praticam esportes.

Cada vez mais garotas masculinas

Os Papas Pio XI e Pio XII estava discursando sobre um velho problema, um mal governado espírito feminino que tenta os homens com roupas indiscretas e atitudes ousadas. Consciente ou inconscientemente sedutoras, as mulheres permanecem, pelo menos, femininas, e sua posição censurável ainda é natural. Hoje, um novo passo abaixo foi tomado pelas escadas da decadência: o aparecimento da menina masculina.

O novo modelo é uma estranha figura andrógina. “Meninas da Bola” é como algumas das modernas atletas mais novas chamam a si mesmas: as meninas que vivem para o basquete, beisebol, futebol, futebol americano – pelo jogo, o esporte, não para as aptidões e virtudes que irá ajudá-las como futuras esposas e mães. Eles são garotas ásperas,  atrevidas, com músculos de homens, suficientemente bons para jogar contra os “caras”, meninas que deixaram sua feminilidade pela sua mania de esportes.

Olhe, por exemplo, a imagem acima. É ele ou ela? Não se sabe realmente, à primeira vista, se o jogador de basquete é uma menina ou um homem jovem afeminado.

É, na verdade, uma mulher jovem, uma popular jogadora de basquete da faculdade que representou os EUA nos Jogos Olímpicos. Para algumas jovens aspirantes a atletas, ela tornou-se um novo modelo ideal.

Ela é um ícone para as aspirantes a meninas “da bola” que a cercam na imagem à direita. Elas usam a sua camiseta, shorts folgados e não apenas na quadra, mas em casa, na escola, nos shoppings, mesmo na igreja. Elas colocam para trás seus cabelos curtos, sem ondas, arcos e presilhas para enfeitá-los. Elas se misturam em toda parte em tênis e meias. Esse tipo de comportamento representa uma tendência para a sempre mais masculina menina. Essas mulheres parecem ter dado um passo além da perda do instinto de pudor que Papa Pio XII advertiu contra, elas estão perdendo o instinto de feminilidade.

Só podemos especular sobre o futuro duro e infeliz de meninas que rejeitam a sua feminilidade, de forma aberta e descaradamente. Elas claramente perderam a noção da dignidade da mulher na visão de seu mais nobre papel como esposa, mãe e companheira do homem. A mulher masculina não reflete uma verdadeira emancipação. É sim a degradação da personagem feminina, a rejeição do plano sábio de Deus. É uma posição contra a natureza.


A saúde da alma tem precedência sobre a saúde do corpo

A Moral Católica não é como os estilos, não muda com o tempo. O que era imodesto ou indecente ontem não se tornou milagrosamente aceitável hoje por causa da omissão ou a complacência da Igreja Conciliar. As palavras do Papa Pio XII às meninas e mulheres continuam a ser adequadas hoje:

“Além da moda e suas demandas, há leis mais urgentes, princípios superiores à moda, e imutáveis, que sob nenhuma circunstância, podem ser sacrificados aos caprichos do prazer ou da fantasia, e diante dos quais deve se curvar a onipotência efêmera da moda. Estes princípios têm sido proclamados por Deus, pela Igreja, pelos santos, pela razão, pela moral cristã…

“Como São Tomás de Aquino ensina, o bem da nossa alma deve prevalecer sobre o do nosso corpo, e para ao bem do nosso corpo devemos preferir o bem da alma do nosso próximo” (Alocução às Meninas da Ação Católica, 22 de maio de 1941).

Existe apenas um caminho, hoje, como ontem e amanhã, para a menina e a mulher católica combaterem a imodéstia das modas imorais, palavrões e atitudes masculinas: uma rejeição absoluta deles. Para o bem da alma, alguns exercícios de ginástica e esportes simplesmente não são adequados para jovens senhoras católicas.

Original aqui.