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Por Monsenhor Tihamér Tóth

Traduzido por Andrea Patrícia

O homem moderno, muitas vezes rejeita a Cristo porque ele não quer deixar de viver na moda. Se Cristo é nosso Rei, a moda não pode ser nosso ídolo. Onde Cristo reina, a frivolidade não pode ter seu cetro. Onde Cristo reina, não é lícito se vestir, dançar e jogar da forma como o faz o homem pagão, superficial e vão…

“O que a Igreja tem a ver com a moda? – assim, muitas mulheres se queixam. Por que, por qual razão interfere nestes assuntos? O que há de errado se o cabelo das mulheres é curto ou longo? Ou se a saia fica cinco centímetros acima ou abaixo? No meu sentimento, não importa se uma mulher usa sua saia e seus cabelos cerca de cinco centímetros mais curto.

Mas sim importa, e muito, aquela concepção pagã que busca apenas para excitar os sentidos; uma visão de mundo e da vida se revela na moda, no vestir, na dança, no luxo e no grande mercado das demais vaidades, e que, sufocando a estética no erótico, bra de maneira assombrosa de uma época pagã em que a maioria dos templos foram construídos em honra de Vênus Afrodite.

Dizemos que Deus nos deixou três memórias do Paraíso: o brilho das estrelas, a fragrância das flores e um sorriso que paira nos olhos das crianças (1). Pelo menos, os católicos que têm uma fraqueza pelos exageros da moda deveriam pensar que ao escandalizar os olhos inocentes vão removendo do mundo as memórias já escassas do Paraíso.

O índice da elevação moral de um povo sempre foi o respeito que ele teve com relação às mulheres e o modo como as mulheres respeitam a si mesmas. Bem, se é que podemos confiar nessa escala, afirmamos que estamos diante de um desastre. E temos de admitir que as mulheres são tão culpadas quanto os homens.

Porque o que você faz hoje, essa orgia de maquiagem, de desnudamento, de danças frívolas, essa liberalidade que se espalha no tratamento de meninos e meninas, e a anarquia que assola todas as maneiras sociais, esse luxo desmedido que já chega ao luxo de Poppea, mulher de Nero, que se banhava diariamente no leite de quinhentos jumentos, ou a loucura das mulheres de Pompéia, que pintavam as sobrancelhas com ovos de formiga e ungiam seus cabelos com óleo de urso e sangue de coruja, e usavam dezessete anéis … tudo isso é mais do que mera digressão no ponto da moda: é uma ferida horrível que no final do segundo milênio da Era Cristã se abre na alma novamente pagã.

O propósito oculto da moda é direcionado para expulsar o Cristianismo de tantos lugares quanto possível, arrancar discípulos de Cristo mais e mais. Portanto, já não é uma única alma, uma família, mas uma questão decisiva e importante, ou seja, que em toda a vida social, em todos os nossos eventos, temos ou não o olhar colocado em Cristo. Sim! Esta é a grande questão.

Ciência, filosofia, política, diplomacia, Maçonaria, literatura, arte, leis … tudo isso já tentou derrubar o Cristianismo.

Foi inútil. Todos juntos nunca foram capazes de banir Cristo.

Então se pegou uma arma nova: a vaidade das mulheres. Vêem as raízes profundas do problema? Essa é a guerra contra Cristo. Concedo que a maioria das mulheres quando se curvam à moda não sabem que são instrumentos de uma campanha traiçoeira. Elas não percebem que o paganismo quer aparecer de novo. Paganismo é o vestido transparente.

O paganismo é a dança indecente. A frivolidade assustadora nas praias, o veneno dos cinemas, do luxo exorbitante … tudo isso é paganismo.

A Igreja reconhece a legitimidade de diversão honesta, dos cuidados com o corpo, da moda sensata e do vestir elegante, mas sob uma condição: nunca se esqueça que a alma vale mais do que o corpo e acima da estética está a moral.

***

Quando se trata dos interesses eternos das almas, ali a Igreja Católica não cede, não contemporiza. Não contemporizou com os reis frívolos, que em sua obstinação desviaram milhões de homens de dentro da Igreja. Tampouco contemporiza com a moda frívola.

O animal não pode comer senão aquilo que seu instinto lhe indica, nem pode vestir outra pele ou outra plumagem, ou seja, “deve seguir a moda” que a natureza impõe. Mas com o homem não é assim. O Criador dotou o homem com a inteligência para regular suas ações. O homem, portanto, escolhe os pratos, muda os móveis de sua casa, troca de roupa também; e quando ele se esforça para colocar a arte na matéria morta, na maneira de preparar os alimentos, limpar a casa e vestir-se, demonstra essa superioridade espiritual.

Este esforço do homem é completamente natural, lícito e justo até … até onde? … Até que ponha tolamente em risco a saúde do corpo ou tente despertar os desejos baixos. Aqui está o duplo cume; até aqui é lícito seguir a moda. Portanto, somente se estes limites forem excedidos é que nós opomos o nosso veto. Aqui estão os retos critérios. O Cristianismo nunca caiu em exagerações, só levanta a sua voz onde vê o perigo.

***

Os mártires da moda! Está congelando. Eu ando pela rua. Homens encolhem-se tremendo de frio sob a gola do casaco. Deus se importa com os próprios animais, e assim têm um casaco de pele para o inverno. Mas as pobres mulheres são escravas da moda, que as obriga a tremer, usando, com um frio que gela, decotes ou uma saia muito curta.

A deusa pagã da moda é Vênus; a rainha da beleza sem mácula é a Virgem Mãe, cujo ideal, branco como a neve, se reflete na personalidade suave, recatada, espiritual da mulher cristã. É o que eu quero deixar claro para aquelas que se submetem sem nenhuma objeção ao exagero e frivolidade da moda, embora isso não seja feito com malícia.

Despótico e tirano deve ser o poder da moda, quando, muitas vezes, mesmo as mulheres respeitáveis tem que se vestir de tal maneira que não pareçam que são assim.

E, de fato, eu creio nas mulheres que se desculpam, eu acho que não se vestem de uma forma tão frívola por gosto, e que sua alma está longe de ser como dão a suspeitar os seus trajes. No entanto, porque elas causam escândalo, devo repetir o que já está no Século V antes de Cristo, disse o sumo sacerdote das Vestais a uma delas acusada de imoralidade, embora inocente, segundo se pôde comprovar depois: Se seu comportamento e maneira de vestir tivesse sido mais modesto, os homens teriam tido você em maior estima. A frivolidade do vestido não cai bem à menina que muito aprecia a honestidade e a boa reputação.

(Cristiano en el siglo XX – Monsenhor Tihamér Tóth, 1951)

Original aqui.

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Notas da tradutora:

(1)    Isso é muito lindo!